Wednesday, July 12, 2006

Summer Lovers (Amantes de Verão), de Randal Kleiser, (1982)

Randal Kleiser pode ser um realizador de trazer por casa (que até não é) e ultimamente até pode não fazer grande coisa que se veja, mas há que reconhecer que, dentro do mais comercial cinema americano das últimas décadas, deixa uma indelével marca na memória colectiva cinéfila, através de obras (e êxitos) como Blue Lagoon, Grease, White Fang, Grandview USA e este Summer Lovers de que hoje vos falo. Summer Lovers é o típico filme de Verão na mais directa acepção do termo. Tem praia, tem jovens, corpos bonitos e tem uma hitória de amor a aquecer o ambiente. Mas há algo que em muito ultrapassa isso que o torna num espécimen incontornável entre os "summer movies" da vida. E é nisso que Randal Kleiser é mestre, na criação de um ambiente em que nos sentimos cúmplices e, mais do que isso, em que sentimos que partilhamos aquilo que os personagens sentem. Mas acima de tudo, é o poder de envocar a fantasia que há em nós que torna este Summer Lovers num dos mais belos filmes de Verão que há memória. Pena aquele final tão... tão... mas pronto, o filme é bom mesmo assim! :)

Thursday, June 22, 2006

Saved! (Quem Nos Acode?), de Brian Dannelly (2004)


Assistir a este Quem nos Acode? Sem pré-aviso ou acompanhado de “almas” sem capacidade para ver para lá do óbvio pode acabar mal. Isto porque este filme de Brian Dannelly é tão irónico, tão sarcástico que pode ferir mentes mais conservadoras e sem abertura mental suficiente para encarar, com um sorriso aberto, alguns dos dogmas mais enraizados na sociedade (tal como aconteceu com o também bom, mas desequilibrado Dogma). A história gira em torno da adolescente Mary (a brilhante e ainda não totalmente descoberta Jena Malone) que engravida acidentalmente ao tentar “curar” o seu namorado gay. Se a premissa em si já é bastante sugestiva, o relaizador não deixa os créditos por mãos alheias e consegue aproveitar a maior parte das oportunidades que tem para desenvolver a sua história de forma envolvente e com muito, mas mesmo muito humor negro à mistura. O elenco vai todo muito bem (Macaulay Culkin está impagável no seu regresso!) e o filme é equilibrado o suficiente para nos fazer rir e pensar um pouco, não apenas naquilo em que acreditamos, mas também porque acreditamos. Uma pequena pérola!

Monday, April 24, 2006

Simple Lies a.k.a RX, de Ariel Vromen (2005)


Simple Lies não é uma obra-prima. Longe disso. Provavelmente não vai ficar na história por nenhum motivo e o mais provável é que não fará nada pelas carreiras dos actores envolvidos, isto porque a sua distribuição, mesmo nos EUA, foi muito limitada. Mas sinceramente gostei de o ver. Foi uma surpresa agradável, esta história de 3 amigos (Eric Balfour, Lauren German e Colin Hanks) que viajam até ao México em busca de alguns prazeres proibidos e trazem de lá a tragédia inerente a actos irreflectidos. Simple Lies não é um filme fácil de ver. É lento, muito pausado e com um ritmo que pode impelir os mais desprevenidos à soneca. Algumas vezes quer ser mais do que é, outras vezes leva-se demasiado a sério, tem um argumento risível e está, portanto, longe de atingir a perfeição. Mas eu gostei. Querem tentar também?

Friday, March 31, 2006

Biloxi Blues (Os Rapazes de Biloxi), de Mike Nichols (1988)


Neil Simon, não obstante uma vida pessoal bastante conturbada, conseguiu, com o passar dos anos, impôr-se em Hollywood com uma respeitosa obra que deu origem a filmes tão emblemáticos como The Odd Couple, The Heartbreak Kid, Plaza Suite ou The Sunshine Boys. Em 1988, Mike Nichols decidiu adaptar a segunda parte da sua "autobiografia não-oficial" (a primeira foi Brighton Beach Memoirs, de Gene Sacks, e a terceira Broadway Bound, um telefilme de Paul Bogart) dando assim origem a Biloxi Blues, o mais perfeito filme da trilogia. Desta vez encontramos um Eugene Jerome (Matthew Broderick) com aspirações a escritor e emplena preparação militar para a Segunda Grande Guerra. Nesta fase ele e os seus colegas de caserna são confrontados com um tiranico Sargento (Christopher Walken) que os vai, eventualmente, fazer perceber que nem só de amizade e compadrio vive a fase da recruta militar. Neste filme não há personagens perfeitos, todos têm os seus defeitos e virtudes o que eleva ainda mais o seu nível, sendo que Nichols consegue mesmo duas cenas antológicas: a de Eugene com a prostituta, e o confronto final entre o recruta e o sargento. Talvez pudesse ser dada um pouco mais de relevância e ternura ao romance entre Eugene e Daisy (Penelope Ann Miller) mas se calhar já era pedir demais...

Monday, March 20, 2006

A Christmas Carol (Espírito de Natal), de David Jones (1999)


Com um obra profundamente rica, Charles Dickens atingiu o seu pico de fama com o conto A Canção de Natal (A Cristmas Carol, no original) que, por diversas vezes já foi adaptada pela 7ª arte, desde o velhinho Scrooge com Albert Finney e Alec Guiness na versão dos anos 70, ao Scrooged que Richard Donner desastradamente realizou nos anos 80, passando muitas outras versões da mesma história. Em 1999, David Jones, realizador pouco conhecido que atingiu o seu pico com Betrayal, de 1983, dirigiu mais uma adaptação do clássico de Dickens para a TV por cabo, Hallmark (que, por falar nisso, já começa a dar-nos provas de qualidade em termos de produções deste género). E foi através desse mais suspeito meio que é a televisão, que surgiu uma das melhores, mais belas e mais fieis adaptações deste conto. Patrick Stewart encarna a pele de Ebenezer Scrooge, um velho solitário cuja avareza o distingue dos seus conterrâneos. Nem no Natal a sua única face se altera. Isto até ser visitado pelos fantasmas do Natal Presente, Passado e Futuro, que o vão fazer alterar a sua forma de encarar a vida. Desde o adequado ambiente de época, passando pelo magníco guarda-roupa e acabando em interpretações acima da média, tudo resulta neste telefilme com selo de qualidade que merece ser visto por todos os avarentos do mundo. A ver se isto muda um bocado... ;)

Monday, March 13, 2006

Dazed and Confused (Juventude Inconsciente), de Richard Linklater (1993)


Richard Linklater é um daqueles realizadores de culto cuja expectativa sobe sempre de obra para obra. Ele escreve com tanto de imaginação como talento e tem algo que começa a rarear um pouco nos cineastas de hoje: uma superior capacidade de observação e de exposição dos mais variados sentimentos e situações humanas, por mais difíceis que estas sejam de transpor para o papel e, posteriormente, para o ecrã. Dazed and Confused não foi o filme que tudo começou - isso aconteceu com o brilhante Slacker estreado dois anos antes - mas foi uma prometedora segunda obra que hoje parece ser lembrada por poucos. O filme retrata o último dia de aulas para um grupo de adolescentes do Texas e as desventuras que atravessam. Podia ser apenas mais um teen movie, mas Linklater faz uso do seu "olho clínico" para conseguir tirar das suas situações e dos seus actores o maior grau de realismo possível, tornando assim o filme muito mais intenso e não raras vezes tocante. Aqui não há personagens perfeitas. Mas há um filme a roçar a perfeição. Imperdível!

Tuesday, February 21, 2006

Stealing Beauty (Beleza Roubada), de Bernanrdo Bertolucci (1996)


Há muito quem diga que este não é um filme esquecido, que não falta quem se lembra dele mais não seja por ter sido realizado por Bernardo Bertolucci. Mas o objectivo principal deste blog passa precisamente por levar estes filmes ao conhecimento de um público mais alargado que não os simples moviegeeks pelos quais nutro o mais profundo respeito.
Stealing Beauty não é um filme para agradar a todos, nem sequer à maioria. É a simples história de Lucy (Liv Tyler), uma adolescente que, após a morte da sua mãe, parte em viagem para Itália com o intuito de tirar algumas dúvidas sobre o seu passado. Pelo meio vai óbviamente descobrir mais do que esperava.
Em Stealing Beauty tudo é diferente mas Bertolucci é igual a si próprio, não abdicando da sua marca autoral, mesmo quando o objectivo é apenas contar uma história. As ambiências aparentemente pacatas e ao mesmo tempo provocantes e sugestivas estão lá mas disfarçadas num pacato quadro familiar onde pouco é realmente aquilo que parece. O italiano é servido por um excente naipe de actores onde, além de uma cintilante Tyler se incluem Jeremy Irons ou a recém-vencedora do Oscar de melhor actriz secundária por The Constant Gardener, Rachel Weisz.

Sunday, February 12, 2006

Havoc, de Barbara Kopple (2005)


É estranho que um filme como Havoc passa despercebido em todo o mundo ainda que tenha uma temática não só actualíssima como urgente. Alisson (Anne Hathaway) e o seu grupo de amigos teenagers são brancos mas fazem tudo para parecer negros, para ter "atitude". Formam assim os PLC uma espécie de gang que se propõe apenas "curtir" a vida. No entanto, a busca incessante por novas experiências leva Alisson e as amigas a visitar os subúrbios de Los Angeles e a conhecer a verdadeira realidade dos gangs e das diferenças raciais culminando numa espiral de auto-destruição. Havoc não entra por caminhos fáceis muito por mérito do argumentista Stephen Gaghan (de Traffic e realizador do recente Syriana) que tenta evitar os clichés do género. Mas a grande surpresa virá, porventura, de Anne Hathaway que nos habituamos a ver no papel de princesa nos Diários da Princesa de Gary Marshall, e que aqui arrisca num personagem desregrado e com muito, muito carisma. Havoc não é um filme perfeito, longe disso, mas merecia melhor do que o direct-to-video a que foi vetado internacionalmente. A descobrir...

Tuesday, January 31, 2006

O Careca Dourado, versão 2006

Ainda que este blog não se faça exactamente de notícias como esta, as nomeações aos Oscar deste ano deixaram-me de tal forma bem disposto que não resisto a divulgá-las aqui, junto com uma apreciação minha acerca delas:
ACTOR PRINCIPAL
Philip Seymour Hoffman - CAPOTE
Terrence Howard - HUSTLE & FLOW
Heath Ledger - BROKEBACK MOUNTAIN
Joaquin Phoenix - WALK THE LINE
David Strathairn - GOOD NIGHT, AND GOOD LUCK.

ACTOR SECUNDÁRIO
George Clooney - SYRIANA
Matt Dillon - CRASH
Paul Giamatti - CINDERELLA MAN
Jake Gyllenhaal - BROKEBACK MOUNTAIN
William Hurt - A HISTORY OF VIOLENCE

ACTRIZ PRINCIPAL
Judi Dench - MRS. HENDERSON PRESENTS
Felicity Huffman - TRANSAMERICA
Keira Knightley - PRIDE & PREJUDICE
Charlize Theron - NORTH COUNTRY
Reese Witherspoon - WALK THE LINE

ACTRIZ SECUNDÁRIA
Amy Adams - JUNEBUG
Catherine Keener - CAPOTE
Frances McDormand - NORTH COUNTRY
Rachel Weisz - THE CONSTANT GARDENER
Michelle Williams - BROKEBACK MOUNTAIN

FILME DE ANIMAÇÃO
HOWL'S MOVING CASTLE
TIM BURTON'S CORPSE BRIDE
WALLACE & GROMIT IN THE CURSE OF THE WERE-RABBIT

DIRECÇÃO ARTÍSTICA
GOOD NIGHT, AND GOOD LUCK.
HARRY POTTER AND THE GOBLET OF FIRE
KING KONG
MEMOIRS OF A GEISHA
PRIDE & PREJUDICE

FOTOGRAFIA
BATMAN BEGINS
BROKEBACK MOUNTAIN
GOOD NIGHT, AND GOOD LUCK.
MEMOIRS OF A GEISHA
THE NEW WORLD

GUARDA-ROUPA
CHARLIE AND THE CHOCOLATE FACTORY
MEMOIRS OF A GEISHA
MRS. HENDERSON PRESENTSPRIDE & PREJUDICE
WALK THE LINE

REALIZAÇÃO
BROKEBACK MOUNTAIN
CAPOTE
CRASH
GOOD NIGHT, AND GOOD LUCK.
MUNICH

DOCUMENTÁRIO (LONGA-METRAGEM)
DARWIN'S NIGHTMARE
ENRON: THE SMARTEST GUYS IN THE ROOM
MARCH OF THE PENGUINS
MURDERBALL
STREET FIGHT

DOCUMENTÁRIO (CURTA METRAGEM)
THE DEATH OF KEVIN CARTER: CASUALTY OF THE BANG BANG CLUB
GOD SLEEPS IN RWANDA
THE MUSHROOM CLUB
A NOTE OF TRIUMPH: THE GOLDEN AGE OF NORMAN CORWIN

EDIÇÃO
CINDERELLA MAN
THE CONSTANT GARDENER
CRASH
MUNICH
WALK THE LINE

FILME DE LÍNGUA NÃO INGLESA
DON'T TELL
JOYEUX NOèL
PARADISE NOW
SOPHIE SCHOLL - THE FINAL DAYS
TSOTSI

CARACTERIZAÇÃO
THE CHRONICLES OF NARNIA: THE LION, THE WITCH AND THE WARDROBE
CINDERELLA MAN
STAR WARS: EPISODE III REVENGE OF THE SITH

MÚSICA (BANDA SONORA ORIGINAL)
BROKEBACK MOUNTAIN
THE CONSTANT GARDENER
MEMOIRS OF A GEISHA
MUNICH
PRIDE & PREJUDICE

MÚSICA (CANÇÃO ORIGINAL)
"In the Deep" - CRASH
"It's Hard Out Here for a Pimp" - HUSTLE & FLOW
"Travelin' Thru" - TRANSAMERICA

FILME
BROKEBACK MOUNTAIN
CAPOTE
CRASH
GOOD NIGHT, AND GOOD LUCK.
MUNICH

CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
BADGERED
THE MOON AND THE SON: AN IMAGINED CONVERSATION
THE MYSTERIOUS GEOGRAPHIC EXPLORATIONS OF JASPER MORELLO
9
ONE MAN BAND

CURTA-METRAGEM DE IMAGEM REAL
AUSREISSER (THE RUNAWAY)
CASHBACK
THE LAST FARM
OUR TIME IS UP
SIX SHOOTER

EDIÇÃO DE SOM
KING KONG
MEMOIRS OF A GEISHA
WAR OF THE WORLDS

MISTURA DE SOM
THE CHRONICLES OF NARNIA: THE LION, THE WITCH AND THE WARDROBE
KING KONG
MEMOIRS OF A GEISHA
WALK THE LINE
WAR OF THE WORLDS

EFEITOS VISUAIS
THE CHRONICLES OF NARNIA: THE LION, THE WITCH AND THE WARDROBE
KING KONG
WAR OF THE WORLDS

ARGUMENTO ADAPTADO
BROKEBACK MOUNTAIN
CAPOTE
THE CONSTANT GARDENER
A HISTORY OF VIOLENCE
MUNICH

ARGUMENTO ORIGINAL
CRASH
GOOD NIGHT, AND GOOD LUCK.
MATCH POINT
THE SQUID AND THE WHALE
SYRIANA

para já, aqui fica uma primeira apreciação das nomeações aos Óscar.

1) Em primeiro lugar, a minha vénia para a nomeação do regressado (e magnífico) Matt Dillon que, acerta altura, parecia mesmo ter-se já convertido num has been.

2) O Crash é grande e, para minha grande surpresa, não foi esquecido das nomeações. Merece-as inteiramente.

3) Grande surpresa as não-nomeações do Walk The Line nas principais categorias, excepto na de Melhor Actriz e Actor. Parece-me que a Reese Witherspoon levará o Oscar, não apenas pela sua magnífica interpretação, mas também para compensar a falta de nomeações de James Mangold e do filme em si.

4) Capote é muito bom, mas admira-me, sinceramente, um filme deste género merecer tanta atenção por parte da Academia. Aliás, os Oscars deste ano fazem-me muito lembrar determinados festivais de cinema independentes e não uma máquina ao serviço de Hollywood.

5) Goste-se ou não de Spielberg, e eu gosto muito, ele lá está, com o seu Munich. Sejamos sinceros, as nomeações são merecidas mas pergunto-me porquer tardam tanto em dar a devida atenção a um dos melhores actores da sua geração: Eric Bana.

6) George Clooney concorre em três (três!!!!) categorias diferentes - a saber, Actor Secundário em Syriana, Argumento Original e Realização por Good Night, and Good Luck. Rendam-se, definitivamente, àquele que é um dos astros maiores em Hollywood.

7) Brokeback Mountain tem 8 nomeações e merece-as a todas. O filme é muito bom e tanto Ang Lee como os actores são brilhantes.

8) Felicity Huffman lá está, nomeada pelo "seu" Transamérica. Se vencer será muito justo, mas será que o filme chegará a Portugal?

9) Keira Knightley erradia alegria e personalidade na sua actuação em Pride & Prejudice elevando um projecto aparentemente banal à categoria de guity pleasure do ano. A sua nomeação foi uma surpresa que caíu muito bem.

10) The Constant Gardener teve algumas nomeações mas, tendo em conta que é um dos grande filmes do an oi, merecia mais. Onde estão Ralph Fiennes e Fernando Meirelles?

11) Catherine Keener é brilhante e começa a receber a atenção que há muito lhe é devida. Capote trouxe justiça a uma das raínhas do cinema independente.

12) Embora muita gente discorde da minha opinião, considero que Jarhead merecia um pouco mais de atenção por parte da Academia, tal como Lard of War. Nicolas Cage e Jake Gyllenhaal mereciam mais do que tiveram, ainda que o último tenha sido nomeado como Actor Secundário em Brokeback Mountain.

13) Paul Haggis redimiu-se definitivamente por ter criado, em tempos idos, uma coisa chamada Walker, the Texas Ranger. Caso a premiação pelo argumento do bom Million Dollar Baby no ano passado não tenha chegado, a sua nomeação como Realizador e Argumentista por Crash acabam com qualquer dúvida.

14) Alguém tem sempre de ficar de fora mas tenho pena por Matchpoint e A History of Violence que me parecem filmes de eleição. As suas nomeações em categorias menores sabem a pouco.

15) Uma última referência para John Williams que junta à sua interminável lista de nomeações as de Munich e de Memois of a Geisha. Ah, grande homem...

Friday, January 27, 2006

The Public Eye (O Repórter Indiscreto), de Howard Franklin (1992)


Joe Pesci habituou-nos, durante quase toda a sua carreira, a um nível de qualidade de que poucos actores se podem orgulhar. Filmes como My Cousin Vinnie, Jimmy Hollywood, Casino e o seminal Goodfellas fizeram dele um rosto marcante e com direito a que o seu nome esteja escrito a letras de ouro na História do Cinema. Ainda assim, um dos seus maiores momentos foi a criação de Leon Bernstein, o fotógrafo omnipresente, sensacionalista e insensível que um dia se apaixona por uma das intervenientes num caso que acompanha e a polícia investiga (a femme-fatale Barbara Hershey). Tudo nesta obra do argumentista-ocasionalmente-realizador Howard Franklin é belo, desde a fotografia aos diálogos, passando pela composição das personagens e terminando no argumento também obra de Franklin. Nada é o que parece neste filme noir que apenas peca por obedecer em demasia às regras deste tipo de cinema, e talvez por isso se torne por vezes previsível. Ainda assim, são duas horinhas que em nada envergonhariam um Raoul Walsh ou um Howard Hawks.

Thursday, January 26, 2006

Hype!, de Doug Pray (1996)


Tendo vivido o fenómeno grunge mais durante a sua decadência do que propriamente no seu auge, venho hoje recomendar-vos um magnífico documentário chamado Hype!, que o realizador Doug Pray escolheu fazer para começar a sua carreira. É sobre grunge, sobre Seattle, sobre a vida naquela cidade no pré, durante e no pós-grunge. Quem não for apreciador de música ou do fenómeno em particular provavelmente não lhe achará grande piada. Mas os restantes que se cheguem, pois aqui está um filme muito recomendável. Nota-se que Pray faz aqui um labour of love. Tudo aqui é tratado com carinho e algum gozo mesmo que, aqui e ali se note um tratamento demasiado light de uma época que não foi perfeita. Mas está quase tudo lá, entrevistas com os protagonistas, imagens inéditas e conclusões muito verdadeiras (ainda que por vezes dolorosas) acerca de um tempo que foi intenso mas esteve longe de ser perfeito. Ou talvez não... Talvez a maior (única?) fraqueza deste documentário resida no facto de ter sido feito ainda com as lembranças demasiado frescas mas, se isso o torna inevitavelmente menos incisivo, também o torna mais apaixonado. Não se pode ter tudo e, já agora, do mal o menos!!

Chris Penn - A morte aos 40 anos


É uma daquelas notícias que me deixa realmente triste. Chris Penn, actor de 40 anos, irmão do também actor Sean Penn, faleceu esta terça-feira, dia 24, na sua casa em Santa Mónica na Califórnia. Não vou cair no lugar-comum de desatar aqui a chorar (ele até merecia), mas espero que os mais desatentos percebam que estavamos na presença de um grande actor a que nem sempre foram dadas as merecidas oportunidades. A última vez que o vi foi no sofrível Shelter Island, filme no qual nem a talentosa (e também sub-aproveitada) Ally Sheedy se safava, mas recordá-lo-ei sempre em filmes maravilhosos que marcaram uma época como Footloose, Rumble Fish e At Close Range, e já mais recentemente, no grande Reservoir Dogs de Quentin Tarantino, no Short Cuts de Robert Altman ou no The Funeral de Abel Ferrara. Agora que penso bem, e para quem tinha só 40 anos e não era uma estrela de primeira linha,tenho de convir que Chris Penn ainda se safou muito bem. Vou ter imensas saudades dele...

Tuesday, January 24, 2006

U-Turn (Sem Retorno), de Oliver Stone (1997)


Os gostos serão sempre discutíveis e, talvez por isso, venha aqui fazer referência a um espécime ao qual talvez não tenha sido dado o devido valor por alturas da sua estreia no cinema. Falo-vos de U-Turn, o OVNI que Oliver Stone realizou em 1997. Sean Penn encarna Bobby Cooper, um desgraçado que deve dinheiro a alguém bem mais poderoso do que ele. Os problemas surgem quando se encaminha e fica detido numa cidade perdida no meio do deserto, chamada Superior, cujos habitantes são tudo menos pessoas normais. Entendem-se facilmente as razões pelas quais este filme não foi bem recebido, apesar de um elenco de estrelas que inclui o referido Sean Penn, Nick Nolte, Jennifer Lopez, Billy Bob Thornton, Joaquin Phoenix, Claire Danes e Powers Boothe: Stone filma de forma muito estilizada e dá primazia aos diálogos em deterimento do mainstream a que estamos habituados. Nem sempre é fácil ver este U-Turn (e nem sempre pelas melhores razões), mas não se pode negar que é uma delícia e uma pérola que deve ser descoberta.

Colecção de DVDs Fantasporto

Amigos menos atentos, atenção ao jornal Público das sextas-feiras: é que agora, além de trazer o excelente Y, traz também uma colecção de filmes que passaram ao logo dos anos pelo Fantasporto, por apenas mais 8,90€. Para quem, como eu aprecia "aquele" outro cinema, é uma oportunidade a não perder, principalmente porque são filmes aos quais é bastante difícil deitar a mão. Não os deixem fugir!!!

Monday, January 16, 2006

Radio Flyer (A Força da Ilusão), de Richard Donner (1992)


Richard Donner sempre foi um um realizador a ter em conta no panorama do cinema made in USA, mais não seja porque teve sempre presente, na sua obra, uma noção de espectáculo e entretenimento que não raramente nos trouxe gratas surpresas. No entanto, e no meio de uma carreira preenchida com títulos como Superman, Lethal Weapon, Maverick, Assassins ou The Omen, houve um pequeno filme que, embora incompreendido por crítica e público, revelou uma face mais negra de Donner. Falamos de Radio Flyer, a sensível história de dois irmãos cuja violência sofrida por parte do padrasto, os vai levar a embarcar embarcar no Radio Flyer do título, uma espécie de trenó que permitirá superar as suas angústias. Donner dirige com a sensibilidade e o dinamismo necessários uma história nem sempre simples e que facilmente poderia descambar num dramalhão para fazer chorar as pedras da calçada. Elijah Wood e Joseph Mazzello são brilhantes na composição dos irmãos Mike e Bobby, e Tom Hanks faz um cameo como o personagem de Elijah Wood em adulto, sendo, ao mesmo tempo, o narrador da história. Radio Flyer não é um clássico mas será sempre um filme especial. Quem sabe se não é descoberto um dia destes... A minha parte fica feita!!

Monday, January 09, 2006

Cineastas "Perdidos" - Rob Reiner


Por falar em Rob Reiner, as últimas notícias vindas do outro lado do Atlântico dão-me conta de que o seu novo filme, Rumor Has It..., com Jennifer Aniston, Kevin Costner, Shirley MacLaine e Mark Ruffalo deixa muito a desejar, o que me vem lembrar que as últimas experiências deste outrora tão interessante realizador têm sido verdadeiramente decepcionantes. Revejamos, em traços largos, a sua filmografia: a década de 80 é brilhante e traz-nos pérolas como This Is Spinal Tap (uma referência incontornável), The Sure Thing e Stand By Me (clássicos dos teen movies), o brilhante When Harry Met Sally... e termina com o curioso e subversivo Misery que, curiosamente, se viria a tornar, pelo menos até agora, no seu último grande filme. A década seguinte ainda trouxe algumas coisas interessantes como The American President, Ghosts of Mississipi e, em menor grau, A Few Good Men, mas, para além de não atingirem o nível e a classe da sua obra da década anterior, ainda forma intercaladas com outros filmes já bastante desinteressantes. Esperava-se, por isso, com grande curiosidade, por uma nova década para perceber que caminho Reiner tomaria a seguir. Infelizmente, nada de bom augurava o futuro. Alex & Emma era fraquinho e este Rumor Has It... parece ir pelo mesmo caminho (claro que darei o braço a torcer caso se verifique o contrário) pelo que se espera urgentemente por novidades agradáveis de alguém que nos traz tão boas recordações cinéfilas. Será com o próximo Whiskey River?

Mean Creek (Uma Pequena Vingança), de Jacob Aaron Estes (2004)


O que fazer quando uma brincadeira toma dimensões trágicas? E como viver com as consequências dela? Estas são apenas algumas das questões deixadas por Jacob Aaron Estes neste brilhante Mean Creek que há poucos dias descobri num videoclube. Mean Creek é a história de um grupo de amigos que decide vingar-se de um outro rapaz de quem sofriam constantes agressões. Para isso, fazem-se passar por seus amigos e levam-no a um passeio de barco que não correrá da forma esperada. Contar algo mais seria estragar a (grande) surpresa que é esta primeira longa-metragem de Estes, um prodígio de 90 minutos que não só nos envolve na história como nos faz sentir o que os persongens do filme sentem. Do elenco nem vale a pena falar já que até os Independent Spirit Awards decidiram atribuir um prémio especial ao cast do filme. Mas o que ainda acaba por surpreender mais é que um filme tão premiado e com tanto potencial comercial tenha escapado mais uma vez ao olhar dos portugueses entretidos com "coisas" como O Nevoeiro e afins... Este Mean Creek é a versão hard do Stand By Me de Rob Reiner. Uma mui grata experiência!

Thursday, December 29, 2005

Pirataria: um mal reinante!

Como habitual frequentador de Feiras e outros locais equivalentes, tenho tido a oportunidade de acompanhar de perto o estranho (ou não...) fenómeno que leva as pessoas a comprar DVD's de qualidade duvidosa em quantidades absolutamente descomunais. Devo reconhecer que me assusta um pouco ver filmes em alguns casos que ainda cá não estrearam (e nem vão estrear) nas bancas das feiras, e ainda me assusta mais ver as pessoas a comprá-los assim só porque quem os vende diz que "ainda não estreou no cinema". Sim, porque depois de uma observação cuidada a uma meia-dúzia de bancas percebi que quase toda a gente vai em busca do filme recente e quase ninguém procura um outo tipo de cinema. Para citar apenas um caso, ainda na semana passada, não passava das 10h30 da manhã e alguém perguntava à vendedora se tinha "O Nevoeiro", deprimente filme de Ruppert Wainwright que tive o desprazer e a infelicidade de ver ontem. A resposta pronta: "Trouxe 18 e já acabaram há meia hora.". Se as pessoas conhecessem o original de 1980 e, por causa disso, procurassem este remake era uma coisa. Mas algo me diz que nada tem a ver com isso. Parece-me antes que há uma vontade sôfrega por consumir os últimos exitos fabricados em Hollywood sem qualquer critério. Interessa é dizer ao amigo: "Já vi em casa todos os filmes que estão no cinema." Isto deixa-me triste. E mais triste ainda me deixa o facto de ver algumas bancas com filmes apenas alternativos - os que não vendem - muito, mas mesmo muito mais baratos, e as pessoas nem lhes tocam. Não imaginam a quantidade de raridades que já lá descobri. Pois é, pois é, todos temops os nossos "pecaditos". Mas como diria um dia alguém que muito admiro, "a raridade do filme em questão justifica a pirataria...". Be nice...

Sunday, December 11, 2005

Chances Are (Como o Céu Se Enganou), de Emile Ardolino (1989)

Chances Are é uma daquelas originais comédias românticas que é, sobretudo, aquilo que a maioria das comédias românticas não são hoje: originais. Louie (Christopher McDonald) e Connie (Cybill Shepherd) fazem um casal feliz até que ele é atropleado e morre no dia do primeiro aniversário do casamento, deixando Connie grávida de Miranda (Mary Stuart Masterson). Connie nunca consegue totalmente superar a tragédia até que, 20 anos depois, Loiue reencarna em Alex (Robert Downey Jr.), um estudante que, através de Miranda, vai rever Connie e Philip (um grande, enorme Ryan O'Neal), o seu melhor amigo na vida passada.
Tudo neste filme de Emile Ardolino é pura magia, desde as interpretações de todo o elenco até aos momentos mais tocantes ou hilariantes. Mas o maior de todos os destaques tem de ser dado ao argumento de Perry Howze e Randy Howze (curiosamente, nunca mais escreveram um filme!) que parte de uma premissa original e nunca se perde em trivialidades desnecessárias, tirando o máximo partido do talento de todos os envolvidos. A não perder.