Thursday, April 19, 2007

Harsh Times, de David Ayer (2005)


Este título pode não ser tão difícil de encontrar como isso, mas isto de falar sobre filmes que poucos vêem também tem destas vantagens: há alguns que aparecem, apesar da sua pouca repercussão comercial, em todo o lado. Harsh Times está em qualquer videoclube que se preze e, vantagem das vantagens, está quase sempre por alugar. Ainda ontem o vi. O título em português é que me está a escapar mas a capa é igualzinha à imagem que está aqui no topo. Adiante... David Ayer é um jovem argumentista que já deitou as mãos a alguns blockbusters americanos mas que se notabilizou na escrita de dois policiais pós-modernos: o oscarizado Dia de Treino (Training Day, Antoine Fuqua, 2001) e Azul Escuro (Dark Blue, Ron Shelton, 2002). Neste Harsh Times, para o bem e para o mal, isso nota-se. Christian Bale é Jim Davis, um ex-Ranger errático que espera encontrar na polícia de LA o refúgio que precisa para exorcisar velhos demónios. Freddy Rodriguez é Mike Alonzo, o seu melhor amigo, e vive pressionado pela namorada (Eva Longoria) para arranjar um emprego. Os dois encontram-se para uma tarde juntos mas, depois disso, nada vai voltar a ser o mesmo. facetas que se revelam, atitudes inesperadas, relações que se vão deteriorando com a cidade dos anjos como pano de fundo é o que David Ayer nos tem para oferecer. Mas fá-lo com mestria. O argumento, salpicado com um ou outro momento dispensável ou mesmo previsível, é quase sempre milimétrico e visceral e, sobretudo, mostra-nos personagens multifacetados, com as respectivas forças e fraquezas à flor da pele. A ambiência de LA sente-se aqui em toda a sua obscura perfeição fazendo lembrar o já referido Dia de Treino, mas também com ecos de Michael Mann. Às vezes é duro e quando o é, é muito duro, mas no bom sentido. E é surpreendente. Apreciem!

Tuesday, February 13, 2007

O nosso Rocky... para deixar saudades...


Porque o nosso blog não deve só aos filmes esquecidos, eis que venho hoje saudar um dos mais brilhantes regressos de que tenho memória de um dos nossos heróis esquecidos: Rocky Balboa/Sylvester Stallone.
Como apreciador da série Rocky que sempre fui e sou, tenho a noção de que o meu objecto de apreço esteve muitas vezes longe do nível que se exigia. Rocky foi o sucesso-surpresa de 1976, um pequeno filme independente que contava a história de um lutador amador e dos seus sonhos de glória. É uma parábola sobre o sonho americano muito bem escrita por Sylvester Stallone e acabou por vencer o Oscar para o melhor filme do ano.
Rocky II ainda era um objecto de cinema bastante interessante. Desenvolvem-se os personagens de Rocky e Adrian e aprofunda-se a relação entre Rocky e Apollo Creed. Uma boa sequela.
Rocky III e Rocky IV foram, para mim, os títulos mais fracos da saga, com tramas demasiado simplistas, previsíveis e com cedências óbvias à era Reagan. Ainda assim, na minha opinião, o facto de Stallone sempre dar primazia aos personagens em deterimento das situações, acaba por manter estas fitas à tona.
Rocky V opta por desenvolver ainda mais as personagens, fazendo-as evoluir temporalmente e confrontando-as com novos desafios. Rocky é já veterano e, perante a perda de todos os seus bens, é obrigado a voltar a Philadelphia com a família e a repensar a sua vida e a relação com o filho. Rocky V é talvez o título mais subestimado da saga mas acaba por ser bastante superior aos dois títulos anteriores em força narrativa.
A expectativa gerada para este último tomo do périplo de Stallone revestiu-se, desde logo de grande expectativa, dada a idade já avançada do actor, a descendente carreira do mesmo e o facto de muitos acharem que Rocky era um personagem desgatado demais para ressugir. Stallone pego novamente nas rédeas do argumento e da realização e nota-se que investiu um esforço e uma dedicação tremendos. Há um carinho que se nota em todo o desenrolar da história de um Rocky agora dono de um restaurante, triste com o falecimento de Adrian e agora também agastado com o afastamento progressivo do filho (Milo Ventimiglia). Continua o mesmo Rocky humilde, mas agora tem necessidade de voltar a combater, ainda que apenas em combates de bairro. Quando se lhe depara a oportunidade de enfrentar o campeão do mundo em título, não é apenas a vitória que está em questão, mas o superar de mágoas e frustrações e a chance de voltar a ser um novo Rocky preparado para olhar o futuro com um sorriso nos lábios. Rocky Balboa é uma história triste, contada com paciência e calma por um Stallone que já não tem nada a provar a ninguém mas que quer provar a si mesmo que ainda é capaz de muitas e boas coisas. É também uma história de esperança e coragem, não panfletárias, mas sinceras. É também um triunfo a nível formal pois Stallone recuperou as principais marcas dos outros filmes e enquadrou-as aqui de forma perfeita, sem parecerem metidas a martelo. Stallone escreve bem, muito bem e, embora a espaços reparemos num ou outro pormenor que podia ser melhorado, a sensação que fica no final é a de um grande triunfo do Sly argumentista, realizador e até actor. Os mesmos críticos que gozaram este regresso, aplaudiram-no de pé depois de o verem rendendo-se às evidências. E o público provou mais uma vez que nunca abandona os seus heróis mais queridos fazendo deste ROCKY BALBOA um, para muitos, inesperado sucesso de bilheteira. Só apetece mesmo gritar a plenos pulmões: YO ADRIAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAANNNNNNNNN!!!

Monday, January 22, 2007

Do-Ma-Baen (Love Phobia), de Kang Ji-eun (2006)

Tinha planeado recomendar um filme completamente diferente desta vez,não ia ser cinema oriental, e muito menos seria outra love-story. No entanto quando eu pensava que já nada me surpreendia dentro do cinema romântico Coreano eis que ontem me apareceu pela frente outro filme verdadeiramente inesperado. Mesmo agora quase 24 horas depois de o ter visto ainda permanece fresco na minha mente, por muitos e variados motivos e irei certamente revê-lo quando acabar de escrever estas linhas.

O filme chama-se "LOVE PHOBIA" e podem ter a certeza que não chegarão ao seu final sem apanharem algumas surpresas.
Para quem não conhece o género, o cinema romântico da Coreia do Sul tem normalmente algumas características que o tornam muito diferente dos habituais enlatados pseudo-românticos made-in-Hollywood. Para começar os trailers do cinema oriental, não têm a tendência de nos explicar como vai ser o filme todo e imaginem só, até nos escondem as surpresas da história e tudo.

Numa história romântica Coreana, nunca há qualquer garantia de que haverá um final feliz, embora isto não se traduza automáticamente numa história deprimente.
Apenas a noção de final feliz, não implica obrigatóriamente que o par da história tenha de ficar junto no fim e depois os personagens vivam felizes para sempre sobe pena de que os espectadores não gostem do filme caso isso não aconteça. Tudo pode acontecer até ao ultimo minuto de projecção, pois uma das características mais interessantes do cinema romântico coreano, é o facto de existirem muitos finais felizes em que inclusivamente acontecem as maiores desgraças aos protagonistas das histórias mas um espectador acaba de ver o filme sentindo-se , reconfortado, positivo, quase sempre identificado com os personagens e principalmente pensando em temas que jamais esperaria encontrar no momento em que se decidiu a espreitar um destes filmes de olhos em bico. E isto, sem que esses temas lhe sejam atirados á cara estilo panfleto humanitário ao contrário do que é habitual no estilo americano.
Em "Love Phobia" o próprio tema só se dá a conhecer quando este se torna essencial para a história e até entrar em cena o espectador não imagina o que lhe vai cair em cima. E mesmo depois dessa parte se começar a desenrolar, as surpresas não ficam por aí pois de repente o espectador conhece respostas para perguntas que até esse momento nem fazia ideia que tinha e isto é uma das coisas mais empolgantes deste filme.

Tudo isto é muito dificil de explicar sem revelar aquilo que é precisamente a força do argumento. Tal como nada é revelado no trailer, também eu não posso sequer comentar muito detalhadamente o que poderão encontrar pois estaria a estragar-lhes o filme todo. Como habitualmente em filmes do género, o final divide opiniões. Há quem entre no espírito e goste e há quem ache que deveria ter ido por outro caminho. Pela minha parte, não me chateia em absoluto qualquer cliché mais emocional quando tem por base uma história como esta.

O resumo possível da história é o seguinte:
Anos atrás duas crianças, um menino e uma menina conhecem-se na escola. A menina assusta todos os colegas da turma quando insiste em dizer que vem de um planeta distante e que carrega uma maldição pois quem lhe tocar pode sofrer os mais variados acidentes e até correr perigo de vida. O que vem a comprovar-se num par de sequências iniciais quando as pessoas á sua volta sofrem os mais variados acidentes.O único que parece imune á maldição é o menino que fica cada dia que passa mais fascinado pela menina. Especialmente quando repara que ela habita num mosteiro á guarda de um misterioso monge.Um dia o menino fica doente e quando volta á escola descobre que a menina nunca mais voltará a sentar-se ao seu lado.

10 anos se passam.
Agora com 18 anos, agora rapaz, recebe um telefonema de uma rapariga que se vem a revelar como a sua antiga amiga subitamente entrando de novo na sua vida. Após o inicio de uma relação, a rapariga volta a referir que vem de um planeta distante encontrando-se na terra apenas á espera que a sua nave a venha buscar no dia em que ela a conseguir contactar, usando a ajuda do seu grupo de amigos astrónomos amadores que obviamente não a levam a sério. Um dia a rapariga volta a desaparecer misteriosamente.
Mais 8 anos se passam e como anteriormente aconteceu, subitamente ela reentra na vida do rapaz aparecendo do nada após ele ter passado anos contratando detectives privados , tentando em vão, encontrá-la.

E isto é o que se pode contar sem estragar este filme que hoje recomendo.
Quem é a rapariga ? De onde vem ? Porque desaparece sempre durante anos a fio sem ninguém a encontrar ? O que tem tudo isto a ver com UFOs ?...Pois, eu sugiro que procurem as respostas em mais este filme que vai passar completamente despercebido em Portugal. Pelo menos até Hollywood fazer o remake disto e dar cabo do espírito original.

O excelente "Love Phobia" tem tudo isto e mais alguma coisa. Embora se calhar á partida nem pareça um daqueles filmes particularmente especiais, pois o estilo de realização é bastante discreto e a uma primeira visão, pode parecer que se limita apenas a ilustrar a história sem grandes rasgos de criatividade. No entanto isto não impede que o filme conte com algumas imagens lindissimas.
Além disso como habitualmente, o filme, apesar de ser um drama na sua essência, conta no entanto com alguns excelentes momentos de humor discretamente inseridos e que ajudam a humanizar ainda mais todos os personagens.

Podem encontrar no Tube, não só o trailer
mas também todo o filme dividido em 12 segmentos de muito baixa qualidade.
Estão por vossa conta, mas eu jamais veria o filme no Tube assim nestas condições.
Façam-me apenas um favor.
Se estiverem interessados em ver isto como deve de ser, não espreitem os inúmeros comentários sobre o filme que poderão encontrar no Tube (ou no imdb), pois contêm inúmeros spoilers e há lá posts que lhes vão destruir por completo todas as surpresas do filme e subsequentemente a sua força. Estão avisados.

No entanto se por este texto, até acham que vão gostar deste filme não hesitem em encomenda-lo na Play-Asia por exemplo
que foi onde eu comprei a minha cópia, (DTS+Extras (videos, making of))

E pronto, por agora é tudo e vamos lá ver se para a próxima recomendo um filme que não seja oriental. ;)

Sunday, January 21, 2007

Saint Ralph, de Michael McGowan (2004)


Saint Ralph não é, definitivamente, o filme que vai mudar a história do cinema. Não é um filme fantástico que virará clássico no futuro. Para dizer a verdade, nem sequer deverá fazer escola no género tear-jerking movies mas é uma alegria de se ver. Ralph Walker (Gordon Pinsent) é um miúdo frequentador de um colégio católico com tendência para se envolver em situações sexualmente incómodas. Quando a mãe entra em coma, Ralph decide que só um milagre a pode salvar pelo que se propõe a correr e tentar vencer a Maratona de Boston no que conta com a ajuda de um dos padres do colégio (Campbell Scott). O filme em si repete ,uitos dos clichés deste género de história, mas onde Michael McGowan acerta é no ambiente da inocente e alegre que acompanha toda a narrativa. Além disso, os desempenhos dos actores principais, nos quais também se inclui uma bondosa enfermeira encarnada por Jennifer Tilly, é acima da média o que nos faz acreditar, ainda que por breve hora e meia de filme, que vale a pena acreditar que podemos de alguma forma fazer a diferença no mundo. É uma alegria...

Saturday, January 13, 2007

Ima, Ai Ni Yukimasu (Be With You), de Nobuhiro Doi (2004)

Quando neste blog me convidaram para colocar aqui algumas contribuições a propósito de filmes esquecidos, apesar da minha disponibilidade nestes dias não ser muita, não resisti em agarrar esta oportunidade de chamar a atenção para algumas obras que continuam desconhecidas em Portugal.

Estando actualmente em moda americanizarem-se filmes orientais destruindo-os por completo na sua alma e essência original á força de serem "adaptados" ás audiências pipoca que devoram marketing em vez de exigirem conteúdo, penso que será interessante eu começar a minha participação neste blog recomendando algum cinema do oriente, que o leitor pode ver antes que lhe apareça pela frente a versão americana disfarçada de ideia original made-in-america.

Não tive grandes dúvidas em escolher o primeiro filme que vou recomendar. Chama-se ["Be With You"] na sua versão japonesa e até há poucos meses atrás, mesmo apesar do filme ja ter um par de anos, era completamente impossível de se encontrar qualquer referência de relevo sobre ele na internet. Ás vezes cheguei a pensar que ninguém a não ser eu tinha visto (e adorado) este pequeno grande filme.Curiosamente, a partir do momento em que apareceu no Imdb a referência de que Hollywood havia comprado os direitos para um remake americano do mesmo, (com Jennifer Garner), surgem agora as primeiras referências ao original espalhadas pela web em alguns textos em inglés.

Por isso, antes que aconteça o mesmo que aconteceu com o fabuloso "Il Mare" que na sua charoposa versão americana ganhou o nome "The Lake House", aconselho vivamente a quem gosta de uma boa história romântica com contornos "sobrenaturais" que procure (compre) este filme que na minha opinião tem suficientes atractivos para prender o espectador ao ecran. E tal como no caso do filme "O Sexto Sentido", obriga o espectador a uma segunda visão para conseguir apreciar plenamente não só a história, mas acima de tudo a poesia da mesma.

["Be With You"], é um pequeno grande exemplo de como se pode fazer um filme romântico comercial inteligente usando os habituais clichés para criar uma história realmente com substância e acima de tudo um grande final.
Apesar de se calhar á primeira vista prometer vir a ser algo tão pastoso como o próximo enlatado com a Julia Roberts, não se deixem desmoralizar no início e posso garantir-vos que o final do filme irá no mínimo provocar não só legítima emoção (pela súbita identificação do espectador quando nos apercebemos da questão central da história), mas principalmente muita discussão sobre o tema que de repente nos é apresentado no segmento final da história onde tudo é revelado.
E além disso é refrescante encontrarmos um filme com imaginação que nem precisa de ser um blockbuster para maravilhar o espectador. Especialmente porque a força do argumento está precisamente naquilo que não nos é mostrado em vez de assentar nas habituais pirotécnias técnicas.

O filme conta a história de uma familia em que a mãe morre, deixando o pai sózinho a tomar conta de um filho com 5 anos.
Ao morrer a mãe promete voltar num dia de chuva dali a alguns meses e eis que meses mais tarde na estação das chuvas, ao passearem num bosque, o pai e a criança encontram uma mulher exactamente igual á falecida esposa e mãe, encontrando-se esta totalmente amnésica.
Fascinados pelas semelhanças entre a rapariga e a falecida, decidem recolhe-la em sua casa ao mesmo tempo que a convencem de que ela é realmente parte da familia e que apenas esteve muito doente internada durante meses num hospital.
Quem será a jovem amnésica e porque tem tantas semelhanças com a rapariga que faleceu ?
Para saberem sugiro que procurem este filme.
Se gostam de bons filmes românticos com um conteúdo inteligente sem ser pretencioso, gostam de finais com uma pitada de mistério e de filmes em que os personagens parecem mesmo seres humanos e não apenas estereótipos, sugiro a compra imediata á confiança deste filme (este foi um daqueles que na altura comprei apenas por instinto sem saber absolutamente nada sobre ele).
Se forem fãs de cinema oriental contemporâneo, penso que pelo menos devem passar os olhos por ele pois não me admirava nada que se surpreendessem.

Gostava apenas de lhes recomendar o trailer oficial que vem no interior do dvd pois é bem mais misterioso do que aquele que lhes vou apontar, mas infelizmente o trailer deste filme é coisa muito rara na internet e como tal só posso indicar-lhes o trailer "mais ocidentalizado" que anda por aí onde muita coisa é logo explicada para consumo mais rápido ocidental.Mas sugiro que o vejam na mesma por vossa conta e risco para terem uma ideia do ambiente do filme. Embora se estiverem a gostar, sugiro também que não vejam o trailer todo e corram a comprar o filme. Só pelo final da história já vale a compra. http://www.tbs.co.jp/movie/english/bewithyou/
Vai proporcionar-lhes muitos motivos para uma boa discussão e posso garantir-vos que se gostam do género, não irão esquecer este filme.

Sugiro a compra desta edição fantástica, barata e com pilhas de extras e coisinhas fofinhas para todos os gostos relacionadas com o filme e sobre o qual não posso revelar absolutamente nada.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7l-77-1-49-en-15-be+with+you-70-yrn.html
Nesta loja da Play-Asia tenho comprado sempre os meus filmes orientais, nunca tive problemas de alfândega até hoje e tudo chega a nossa casa habitualmente em 8 dias úteis (sugiro o método de expedição mais barato "buble") ;) pois chega perfeitamente.

Tuesday, January 09, 2007

Menino do Rio, de António Calmón (1982)


Este não é, sem dúvida, um filme para todos. Não porque tenha violência ou cenas de sexo em demasia, não porque seja "lavagem", não porque seja daqueles filmes "pesados". Porque Menino do Rio não é nada disso. É apenas um leve surf movie brasileiro que, à partida não passa disso mesmo: um surf movie brasileiro. O problema é que estão tão mal enjorcadinho tecnicamente que irá afastar muita gente do seu visionamento. No entanto, e se estão a pensar fazê-lo, fiquem mais um pouco, não porque o filme seja uma obra-prima, não porque tem momentos geniais, mas porque, neste caso, o facto de ser mal enjorcado não é um defeito, mas sim uma característica própria da época em que o filme foi feito e acaba até por ser uma mais-valia. O filme conta a história de Ricardo Valente (André di Biase), um jovem surfista que se apaixona por uma menina rica (a entretanto prematuramente desaparecida Claudia Magno) mas que, por uma séie de razões, não pode ver a sua paixão concretizada. Pode soar banal, mas a grande vantagem deste filme é toda a construção do ambiente da trama que causará, sem dúvida, nostalgia a muito boa gente. Menino do Rio é, sobretudo, um porta-estandarte de um way of life que entretanto se perdeu, assim como no Big Wednesday, de que vos falei há uns tempos atrás. Muitos acharão "parolo", muitos simplesmente silly, mas eu gostei e recomendo... Mais não seja pela banda-sonora (com clássicos absolutos da MPB) e pela presença da saudosa Claudia Magno. Ah, e sabiam que foi este filme que fez o público brasileiro reconciliar-se com o seu cinema nos anos 80, sendo um triunfo colossal nas bilheteiras??

Cidade Baixa, de Sergio Machado (2005)


O passado mês de Dezembro levou-me à descoberta do cinema brasileiro, do qual andava, talvez um pouco por preconceito, alheado. Pois bem, esta experiência tem-me trazido gratas surpresas, a começar pela descoberta daquela que estou convicto ser uma das mais interessantes cinemtoagrafias mundiais. Nos próximos tempos dar-vos-ei a conhecer alguns dos títulos que me passaram (graças a Deus, né? ) pelas mãos. Aquele que trago hoje ao vosso conhecimento aluguei-o recentemente e chama-se Cidade Baixa. Deco (Lázaro Ramos) e Naldinho (Wagner Moura) são amigos de longa data e possuem um barco que utilizam para transportar mercadorias. Um dia conhecem Karinna (Alice Braga), uma stripper a quem oferecem boleia para Salvador. O progressivo envolvimento dos dois com ela trará óbvias consequências na amizade dos dois... mas não só. Cidade Baixa é um daqueles filmes que prende por todas e mais alguma razão. A história é simples mas bem contada. Os actores são do melhor que há: Alice Braga seduz completamente o espectador e já está em Hollywood a trabalhar com Will Smith; Wagner Moura é uma revelação; mas é Lázaro Ramos, um dos melhores actores brasileiros da actualidade que ganha a cena deambulando com um personagem possuído por uma inquietante acalmia que desconforta. Nada é linear netse filme discretamente realizador por Sérgio Machado. E ninguém vai conseguir ficar indiferente...

Winter Passing (Estranhos em Casa), de Adam Rapp (2005)


Os videoclubes ainda são fonte de descoberta de títulos bastante interessantes para este cinéfilo que vos fala. A minha última descoberta foi o recém-lançado Winter Passing (tradução: Estranho em Casa :)), um pequeno e sensível filme independente, cujo elenco mais parece o de uma super-produção: Will Ferrell, Ed Harris e Zooey Deschanel. No entanto, nem os nomes parecem ter evitado uma triste carreira comercial de uma muito interessante obra. Reese (Zooey Deschanel) é jovem e vive em Nova York. Mas não é feliz, talvez devido a um passado que teima em atormentá-la e que, por isso, decide enfrentar, regressando à "terrinha" onde todos os problemas estão camuflados, desde a morte da mãe escritora ao futuro incerto de um pai (Ed Harris) que se deixou levar por mágoas e incertezas e que caminha agora para a auto-destruição. Adam Rapp conduz a história com sensibilidade, mas não trata os seus personagens com condescendência. Prefere, isso sim, dar-lhes a dimensão humana suficiente para que consigamos identificar-nos com elas e entender as suas atitudes e sentimentos. Um must see a ser descoberto!

Wednesday, December 13, 2006

Star 80, de Bob Fosse (1983)


Para quem acredita que os nossos canais de televisão generalistas ainda podem surpreender, a noite do passado dia 6 deverá ter sido uma alegria: a RTP1 transmitiu, pelas 00h30, o filme Star 80, uma daquelas raridades tão raras que, segundo me consta, nem edição em DVD teve até hoje.
Para quem não sabe, o filme retrata a vida de Dorothy Stratten (Mariel Hemingway), uma jovem empregada de mesa que, mais tarde viria a ser uma das mais famosas playmates da Playboy, a sua relação com o "galifão" Paul Snider (Eric Roberts em topo de forma) e o posterior fim trágico após envolvimento com o realizador Peter Bogdanovich (que dirigiu, por exemplo The Last Picture Show e que, no filme, é denominado "Aram" por problemas logísticos).
Para quem, como eu, estava por dentro do caso, o filme não trouxe grandes novidades pois a reprodução de personagens e situações é fiel. No entanto, Bob Fosse (o mesmo do brilhante Lenny) soube trazer um olhar de cinema a uma história que facilmente poderia descambar no mais "dramalhão" dos filmes provenientes de Hollywood. Para isso, contou com um conjunto de actores na melhor das formas, conseguindo criar um envolvente ambiente dramático de "cortar à faca".
Quem, como eu, teve a sorte de o apanhar (e gravar, para mais tarde recordar, burum) diga de sua justiça. Quem não viu terá de esperar que a RTP o volte a transmitir, o que até pode não vir a demorar muito dado que os filmes transmitidos na "Ultima Sessão" repetem com frequência.
Duas curiosidades:
1)a casa - e o quarto - onde se dá o fim trágico do filme é o mesmo onde aconteceu a cena na vida real. 2)quem estiver interessado em saber mais detalhes sobre a história veja aqui http://www.franksreelreviews.com/shorttakes/stratton.htm e o telefilme Death of a Centerfold: The Dorothy Stratten Story (Gabrielle Beaumont, 1981)

Big Wednesday (Os Três Amigos), de John Milius (1978)


John Milius é o "destruidor" que fez Conan the Barbarian (um bom filme, para os que ainda duvidam), o "fascista" que destruiu comunistas e afins em Red Dawn (Amanhecer Violento em pt, para os curiosos), o incansável apoiante da National Rifle Association. E é também o "génio" por detrás do argumento de Apocalypse Now.
Então John Milius por detrás de um filme de surf? Os muitos que desconhecem Big Wednesday (Os Três Amigos), que o obreiro de Dillinger escreveu e realizou em 1978, poderiam, desconfiados, suspeitar que, por detrás de uma onda ou escondido atrás de uma prancha, estaria um qualquer elemento de um grupo terrorista pronto a entrar em acção.
Mas não!
Big Wednesday é a história de três amigos (Jan-Michael Vincent, William Katt e Gary Busey), que crescem a surfar juntos eque a comunidade local aprende a admirar. Porém, o crescimento e a passagem à idade adulta não se revela fácil de enfrentar pelo que a separação destes três jovens parece ser um desfecho inevitável... ou será que não? Milius tem arte suficiente para não deixar cair a sua história numa sucessão de clichés redundante evitando estereotipar os personagens e dando-lhes credibilidade dramática suficiente para suportar as mais que muitas voltas que a história dá (e não são demais, acreditem!). Mas o grande mérito do argumentista/realizador está no facto de ter optado por tornar esta história num libelo sobre a perda da inocência e sobre as incertezas de um futuro que não queremos enfrentar. Os actores são muito convincentes e ajudam a converter este "filmezinho de surf" num objecto de culto que urge ser descoberto. Ou como alguém dizia no IMDB "The Greatest Surf Movie Ever Made"! Se fosse só isso...

Monday, November 20, 2006

Patrick Dempsey - um dos velhos "heróis"...


É sempre reconfortantever os nossos ídolos de outrora, gente que o passado "engoliu" num mar de escolhas erradas ou menos valorizadas, ressurgir em pleno nos dias que correm. Patrick Dempsey é um desses casos. De adolescente estrela a jovem adulto ignorado foi um passo. Muitos ainda se lembrarão em comédias adolescentes dos anos 80 como In The Mood (1987), Some Girls (1988), Happy Together (1989) mas principalmente Can't Buy Me Love (Namorada Aluga-se, 1987), um pequeno filme que foi um sucesso um pouco por todo o lado e que em Portugal é ainda hoje rodeada por um certo culto. A década de 90 foi, porém, uma travessia no deserto para Dempsey. Não em termos de volume de trabalho, que nunca faltou, mas em termos de visibilidade, sendo "vítima" de Mobsters (O Império do Mal, 1991), a ambiciosa produção que reunia alguns dos mais talentosos jovens da altura (além de Dempsey, também Christian Slater, Richard Grieco, Lara Flynn Boyle e Chris Penn estavam lá) e que se revelou, para qualquer um deles, um fracasso demasiado penoso sobre as suas ainda frágeis carreiras. Dempsey ressurgiu já adulto, de forma mais consistenste, em alguns episódios da série Once and Again (Começar de Novo, transmitida entre nós pela RTP2 e pela SIC Mulher, 2002), como o irmão deficiente da protagonista e, mais tarde, em papéis de destaque nos filmes The Emperor's Club (O Clube do Imperador, 2002) e, principalmente, no êxito Sweet Home Alabama (A Diva da Moda, 2002) onde dava vida ao namorado rico e famoso de Reese Witherspoon. Dempsey estava lançado de novo e não desaproveitou a oportunidade que o destino lhe ofereceu. Em 2006 surge em definitivo como estrela consumada devido ao êxito surpresa da televisão, Grey's Anatomy (Anatomia de Grey, 2006), que neste momento é transmitida por cá na RTP1 e na qual encarna um jovem médico. O sucesso de Grey's Anatomy, que já leva três temporadas sem revelar sinais de cansaço, catapultou de novo e em definitivo Dempsey para as capas de revista, tendo sido eleito pela People como o 2º Homem mais sexy do ano, logo a seguir ao "peso-pesado" George Clooney. A série em questão é realmente excelente e Patrick Dempsey está no seu melhor, pelo que merece inteiramente este seu "regresso". Mas que saudades daqueles tempos...

Tuesday, November 14, 2006

The Emerald Forest (A Floresta Esmeralda), de John Boorman (1985)


Neste regresso aqui ao blog, trago-vos notícias de um filme que desconhecia e que, pelo que me pude informar, teve alguma repercussão comercial por alturas da sua estreia, mas do qual hoje pouca gente se lembra: The Emerald Forest, do sempre interessante John Boorman. O filme retrata a história de um empreiteiro (Powers Boothe), que passa dez anos em busca do filho mais novo raptado pelos indios da Amazónia. Porém, quando o encontra, nada é como antes e a criança, agora adolescente, está perfeitamente adaptada ao meio em que vive. Ao dar o papel da criança ao seu filho Charley Boorman, o pai John (realizador do filme) jogou uma cartada triunfal para que este seu projecto chegasse a bom porto. A interpretação do "puto" é tão cativante e carismática que nos prende imediatamente ao filme e nos faz identificar com a sua situação e as suas atitudes impregnando o filme de uma aura mística que em tudo favorece o desenvolvimento da história que se quer sentida, mas não demasiado lamechas. Um verdadeiro triunfo!

Friday, September 29, 2006

I Wanna Hold Your Hand (Beatlemania), de Robert Zemeckis (1978)


Desde sempre, Robert Zemeckis ocupa um lugar muito especial no meu coração de cinéfilo. É, sobretudo, um homem que soube fazer da sua carreira uma colecção de obras-primas que em muito têm contribuído para contrariar uma frequentemente errada noção de que o cinema comercial americano se pauta por uma mediocridade latente. Filmes como Em Busca da Esmeralda Perdida (Romancing the Stone, 1984), Regresso ao Futuro (Back to the Future, 1985), e sequelas, Quem tramou Roger Rabbit? (Who Framed Roger Rabbit, 1988), A Morte Fica-vos Tão Bem (Deathe Becomes Her, 1992), Forrest Gump (1994), O Náufrago (Cast Away, 2000) e A Verdade Escondida (What Lies Beneath, 2000) são o exemplo acabado de uma versatilidade a toda a prova e daquilo a que habitualmente chamamos "a magia do cinema". No entanto, poucos se lembrarão daquele que foi o seu primeiro filme, Beatlemania (I Wanna Hold Your Hand, de 1978), uma obra delirante com a qual me cruzei recentemente no Canal Hollywood. A história é simples e remete-nos para um grupo de adolescentes que é capaz de fazer qualquer coisa para conseguir assistir à primeira actuação dos Beatles em solo americano, no célebre Ed Sullivan Show. Tudo neste filme é inocente, desde os personagens às situações que eles percorrem, passando mesmo pela história base do filme. No então, esta inocência não é involuntária mas sim uma marca com a qual Zemeckis define o tom da sua primeira obra. As interpretações são de primeira água e o argumento, co-escrito com o velho comparsa Bob Gale, consegue captar toda a atmosfera de loucura, acrescentando-lhe a dose de ternura necessária para fazer deste filme uma das pérolas a descobrir! Depois não digam que eu não avisei...
Obs.: Não existe em DVD, em edição nacional.

Thursday, September 21, 2006

Japanese Story (Uma História Japonesa de Amor), de Sue Brooks (2003)


Chegou-me ontem às mãos um exemplar deste tocante filme, no qual Sue Brooks conta a história de uma "informática" (Toni Collette) destacada para vender um software a um japonês de visita aos EUA (Gotaro Tsunashima) acabando por embarcar com ele numa viagem pela Austrália profunda, onde nascerá uma improvável história de amor.

Japanese Story (Uma História Japonesa de Amor, em português) será sempre uma espécie de OVNI cinematográfico apresentando um ritmo lento e uma cadência que não agradará às massas. Também não tem um elenco de estrelas, apesar do já bem conhecido nome de Toni Collette (Sexto Sentido, Era Uma Vez Um Rapaz). Por outro lado, não conta uma história original: duas pessoas vindas de mundos diferentes apaixonam-se no mais improvável dos cenários e das situações. No entanto, há uma conjugação de elementos que faz deste filme uma das maiores surpresas e uma das maiores satisfações do meu ano cinematográfico: a interpretação de Toni Collette é a todos os níveis brilhante mostrando uma versatilidade digna de um mais vasto reconhecimento; os diálogos e as situações passadas entre a sua personagem e a de Gotaro Tsunashima conseguem criar uma envolvência capaz de desarmar o espectador mais céptico. As pequenas inconsistências existentes no argumento não chegam para que, no final do visionamento, não o queiramos ver logo a seguir outra vez. Uma grata surpresa.

Wednesday, July 12, 2006

Summer Lovers (Amantes de Verão), de Randal Kleiser, (1982)

Randal Kleiser pode ser um realizador de trazer por casa (que até não é) e ultimamente até pode não fazer grande coisa que se veja, mas há que reconhecer que, dentro do mais comercial cinema americano das últimas décadas, deixa uma indelével marca na memória colectiva cinéfila, através de obras (e êxitos) como Blue Lagoon, Grease, White Fang, Grandview USA e este Summer Lovers de que hoje vos falo. Summer Lovers é o típico filme de Verão na mais directa acepção do termo. Tem praia, tem jovens, corpos bonitos e tem uma hitória de amor a aquecer o ambiente. Mas há algo que em muito ultrapassa isso que o torna num espécimen incontornável entre os "summer movies" da vida. E é nisso que Randal Kleiser é mestre, na criação de um ambiente em que nos sentimos cúmplices e, mais do que isso, em que sentimos que partilhamos aquilo que os personagens sentem. Mas acima de tudo, é o poder de envocar a fantasia que há em nós que torna este Summer Lovers num dos mais belos filmes de Verão que há memória. Pena aquele final tão... tão... mas pronto, o filme é bom mesmo assim! :)

Thursday, June 22, 2006

Saved! (Quem Nos Acode?), de Brian Dannelly (2004)


Assistir a este Quem nos Acode? Sem pré-aviso ou acompanhado de “almas” sem capacidade para ver para lá do óbvio pode acabar mal. Isto porque este filme de Brian Dannelly é tão irónico, tão sarcástico que pode ferir mentes mais conservadoras e sem abertura mental suficiente para encarar, com um sorriso aberto, alguns dos dogmas mais enraizados na sociedade (tal como aconteceu com o também bom, mas desequilibrado Dogma). A história gira em torno da adolescente Mary (a brilhante e ainda não totalmente descoberta Jena Malone) que engravida acidentalmente ao tentar “curar” o seu namorado gay. Se a premissa em si já é bastante sugestiva, o relaizador não deixa os créditos por mãos alheias e consegue aproveitar a maior parte das oportunidades que tem para desenvolver a sua história de forma envolvente e com muito, mas mesmo muito humor negro à mistura. O elenco vai todo muito bem (Macaulay Culkin está impagável no seu regresso!) e o filme é equilibrado o suficiente para nos fazer rir e pensar um pouco, não apenas naquilo em que acreditamos, mas também porque acreditamos. Uma pequena pérola!

Monday, April 24, 2006

Simple Lies a.k.a RX, de Ariel Vromen (2005)


Simple Lies não é uma obra-prima. Longe disso. Provavelmente não vai ficar na história por nenhum motivo e o mais provável é que não fará nada pelas carreiras dos actores envolvidos, isto porque a sua distribuição, mesmo nos EUA, foi muito limitada. Mas sinceramente gostei de o ver. Foi uma surpresa agradável, esta história de 3 amigos (Eric Balfour, Lauren German e Colin Hanks) que viajam até ao México em busca de alguns prazeres proibidos e trazem de lá a tragédia inerente a actos irreflectidos. Simple Lies não é um filme fácil de ver. É lento, muito pausado e com um ritmo que pode impelir os mais desprevenidos à soneca. Algumas vezes quer ser mais do que é, outras vezes leva-se demasiado a sério, tem um argumento risível e está, portanto, longe de atingir a perfeição. Mas eu gostei. Querem tentar também?

Friday, March 31, 2006

Biloxi Blues (Os Rapazes de Biloxi), de Mike Nichols (1988)


Neil Simon, não obstante uma vida pessoal bastante conturbada, conseguiu, com o passar dos anos, impôr-se em Hollywood com uma respeitosa obra que deu origem a filmes tão emblemáticos como The Odd Couple, The Heartbreak Kid, Plaza Suite ou The Sunshine Boys. Em 1988, Mike Nichols decidiu adaptar a segunda parte da sua "autobiografia não-oficial" (a primeira foi Brighton Beach Memoirs, de Gene Sacks, e a terceira Broadway Bound, um telefilme de Paul Bogart) dando assim origem a Biloxi Blues, o mais perfeito filme da trilogia. Desta vez encontramos um Eugene Jerome (Matthew Broderick) com aspirações a escritor e emplena preparação militar para a Segunda Grande Guerra. Nesta fase ele e os seus colegas de caserna são confrontados com um tiranico Sargento (Christopher Walken) que os vai, eventualmente, fazer perceber que nem só de amizade e compadrio vive a fase da recruta militar. Neste filme não há personagens perfeitos, todos têm os seus defeitos e virtudes o que eleva ainda mais o seu nível, sendo que Nichols consegue mesmo duas cenas antológicas: a de Eugene com a prostituta, e o confronto final entre o recruta e o sargento. Talvez pudesse ser dada um pouco mais de relevância e ternura ao romance entre Eugene e Daisy (Penelope Ann Miller) mas se calhar já era pedir demais...

Monday, March 20, 2006

A Christmas Carol (Espírito de Natal), de David Jones (1999)


Com um obra profundamente rica, Charles Dickens atingiu o seu pico de fama com o conto A Canção de Natal (A Cristmas Carol, no original) que, por diversas vezes já foi adaptada pela 7ª arte, desde o velhinho Scrooge com Albert Finney e Alec Guiness na versão dos anos 70, ao Scrooged que Richard Donner desastradamente realizou nos anos 80, passando muitas outras versões da mesma história. Em 1999, David Jones, realizador pouco conhecido que atingiu o seu pico com Betrayal, de 1983, dirigiu mais uma adaptação do clássico de Dickens para a TV por cabo, Hallmark (que, por falar nisso, já começa a dar-nos provas de qualidade em termos de produções deste género). E foi através desse mais suspeito meio que é a televisão, que surgiu uma das melhores, mais belas e mais fieis adaptações deste conto. Patrick Stewart encarna a pele de Ebenezer Scrooge, um velho solitário cuja avareza o distingue dos seus conterrâneos. Nem no Natal a sua única face se altera. Isto até ser visitado pelos fantasmas do Natal Presente, Passado e Futuro, que o vão fazer alterar a sua forma de encarar a vida. Desde o adequado ambiente de época, passando pelo magníco guarda-roupa e acabando em interpretações acima da média, tudo resulta neste telefilme com selo de qualidade que merece ser visto por todos os avarentos do mundo. A ver se isto muda um bocado... ;)

Monday, March 13, 2006

Dazed and Confused (Juventude Inconsciente), de Richard Linklater (1993)


Richard Linklater é um daqueles realizadores de culto cuja expectativa sobe sempre de obra para obra. Ele escreve com tanto de imaginação como talento e tem algo que começa a rarear um pouco nos cineastas de hoje: uma superior capacidade de observação e de exposição dos mais variados sentimentos e situações humanas, por mais difíceis que estas sejam de transpor para o papel e, posteriormente, para o ecrã. Dazed and Confused não foi o filme que tudo começou - isso aconteceu com o brilhante Slacker estreado dois anos antes - mas foi uma prometedora segunda obra que hoje parece ser lembrada por poucos. O filme retrata o último dia de aulas para um grupo de adolescentes do Texas e as desventuras que atravessam. Podia ser apenas mais um teen movie, mas Linklater faz uso do seu "olho clínico" para conseguir tirar das suas situações e dos seus actores o maior grau de realismo possível, tornando assim o filme muito mais intenso e não raras vezes tocante. Aqui não há personagens perfeitas. Mas há um filme a roçar a perfeição. Imperdível!