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Friday, December 30, 2016

Duelo Imortal (Highlander), de Russell Mulcahy (1986)



Muito se tem falado, ao longo dos últimos anos, num possível remake da saga Highlander, estreada em 1986 e que já deu origem a cinco filmes, uma bem-sucedida série de televisão, sem esquecer as adaptações feitas em animação. Os fãs, claro, estão na sua maioria contra o refazer de uma obra que consideram única e, por si só, impossível de repetir.

Fui então rever este clássico da década de 80 para vos dizer de minha justiça como sobreviveu o Highlander original (Duelo Imortal, de Russell Mulcahy) ao passar dos anos.

A história é a de Connor MacLeod, um escocês das montanhas que descobre, com a ajuda de um mentor, ser imortal num mundo onde apenas pode haver um.

E nada melhor do que começar esta minha análise precisamente pelo começo, ou seja, pela música dos Queen. Poucas vezes se viu uma banda sonora de um filme – ainda por cima de um blockbuster – composta exclusivamente por músicas de uma única banda, uma super-banda na altura. Foi o que aconteceu neste filme e a verdade é que, ainda que uma vez por outra a música pareça descontextualizada, na maior parte das vezes tem o condão de atribuir ao filme uma atmosfera muito particular carregada de misticismo e eco. Arriscar-me-ia a dizer que hoje é difícil imaginar este filme sem a música dos Queen, tanto se confunde esta com o universo que retratam as imagens.

No entanto, é a música dos Queen o primeiro sinal de que se trata de um filme pertencente à década de 80. Esta identificação imediata, que é transversal a quase todos os elementos do filme - desde o cenário aos efeitos especiais, passando pela escolha do actor principal e, sobretudo pela escolha do vilão – acaba por condicionar a sobrevivência do mesmo à passagem do tempo.

Se há algo que acerta na mouche em Highlander é a escolha de Russell Mulcahy para a cadeira da realização. Proveniente do mundo dos videoclips, este australiano soube equilibrar com bom gosto e muito dinamismo os elementos próprios da época com uma aura de misticismo e epopeia que definiu um género para os anos vindouros. O apuro estético e a noção de grandiloquência que Mulcahy trouxe dos telediscos acabou por jogar muito em seu favor e em favor do próprio filme.

O próprio Christopher Lambert, herói de acção vetado ao esquecimento com o passar dos anos, cai como uma luva no papel de um herói que não o é naturalmente, mas a quem as marcas do tempo vão dando sabedoria e uma vulnerabilidade invulgares. Aliás, é neste ponto que o argumento do filme apenas roça a superfície o que acaba por deixar um sabor a pouco.

Duelo Imortal acaba por funcionar muito bem como épico de aventuras, uma óptima sessão de sábado à tarde, mas sente-se que a temática da imortalidade e da solidão que essa mesma imortalidade acarreta poderia ter sido explorada de forma bastante mais profunda e incisiva. Nesse sentido, a série a que deu origem (e em que todos ficámos viciados nas tardes dos anos 90 da SIC) é a que melhor presta serviço à mitologia e à essência da saga. Muito mais até do que as sequelas deste Duelo Imortal, qual delas a pior.

Regressando à questão inicial, Highlander é aquela saga – mais do que o filme em si - que clama por um remake bem estruturado e mais profundo. Como filme em si, este início de saga não está nada mau. Mas e que tal um Gore Verbinski pegar nisto?

Recomendado para: saudosos do bom cinema de aventuras

Classificação Filmes Esquecidos: ***1/2
Classificação imdb: 7,0


Comentário chunga: Clancy Brown assusta o próprio susto. Mas o filme merecia um vilão melhor.

EDIT: e afinal, já há notícias sobre o remake :) http://movieweb.com/highlander-movie-reboot-director-chad-stahelski/


Saturday, December 17, 2016

Toca o Tambor Devagar (Bang the Drum Slowly), de John D. Hancock (1973)



Há filmes dos quais não reza a história e dos quais nunca mais se ouviu falar desde que passaram no cinema. As causas para tal podem ser imensas e este Toca o Tambor Devagar (Bang the Drum Slowly, John D. Hancock, 1973) – que até é o filme preferido de gente do calibre de Al Pacino – não conseguiu ficar na memória das massas por muito tempo. Ainda assim, ou apesar disso, é um belo drama que hoje trago perante vós.

Baseado no livro homónimo de Mark Harris, o filme conta a história de um tecnicamente mediano e não muito inteligente jogador de basebol a quem é diagnosticada uma doença em estado terminal (Robert de Niro), e do mais inteligente e evoluído colega (Michael Moriartry) que de tudo faz para o proteger.

O filme começa bem, adquirindo um ritmo lento que alguns podem tornar chato, mas que se adequa ao registo do argumento e às interpretações dos personagens a quem é permitido crescer e respirar, não se notando, em momento nenhum, um forçar de nota para fazer evoluir a história. Os personagens em si são desenvolvidos tridimensionalmente, e o que talvez o espectador mais jovem estranhe é a quase estranha camaradagem de Moriartry para com De Niro, que resulta numa amizade sem necessidade de pedir nada em troca, valor talvez escasso num mundo actual cada vez mais individualista.

Contudo, é por aí que esta obra começa a triunfar. Valores como a amizade, a honra, o espírito de equipa, o respeito são desenvolvidos de forma despojada e que nos deixa quase sem fôlego durante vários momentos do filme, e ainda mais quando os créditos finais começam a rolar.

Toca o Tambor Devagar talvez não seja o filme mais fácil para o cinéfilo de hoje. Mais do que isso, para o mundo de hoje. Mas talvez seja um digno exemplo de como o cinema americano da década de 70 conseguia conciliar entretenimento com mensagem de forma tão sublime.

Recomendado para: o homem que ainda o é.

Classificação Filmes Esquecidos: ****
Classificação imdb: 7,0

Comentário chunga: o Tegwar devia ser famoso!

Trailer



Tuesday, November 24, 2015

Filmes Para Esquecer: Sem Saída (No Escape), de John Erick Dowdle (2015)


O poder do marketing faz destas coisas. Eu estava de sobreaviso acerca deste Sem Saída. As críticas vindas lá de fora eram tenebrosas acusando o filme de racismo e mais uma quantidade de "sei lá o quê", mas os trailers bem conseguidos e a presença de Owen Wilson - ator que considero subaproveitado - fizeram-me dar uma oportunidade a esta "obra", mesmo assim, com aspas.

Em boa verdade, posso relacionar o meu interesse pelo filme também pelas aparentemente apelativas cenas de acção do trailer e por ter uma história um pouco mais terra-a-terra, isto para um cinéfilo que está cansadinho de super-heróis.

Eis o que Sem Saída nos oferece: família à procura de estabilidade emigra para país do sudeste asiático onde o patriarca vai finalmente ter a oportunidade profissional da sua vida. Só que a sua chegada condiz com a morte do presidente lá da zona e o povo rebela-se contra tudo o que é emigrante, especialmente norte-americano, que é visto como explorador dos pobres e oprimidos. Apanhada nesta trapalhada, a nossa família protagonista inicia uma tentativa de fuga para terrenos seguros, contando com a ajuda preciosa do mártir de serviço, Pierce Brosnan, que empresta algum humor à coisa.

Falar deste filme é quase como falar daqueles filmes que o Chuck Norris fazia nos anos 80, em que tudo o que era asiático era automaticamente mau, fazia cara de mau horrivelmente mau e merecia, obviamente, morrer de imediato. O problema é que Sem Saída quer ser um filme sério e pelo meio das perseguições e restantes troplelias, ainda arranja dois minutos para tentar justificar a sua própria existência. No entanto, o que fica, no fim, são meia dúzia de cenas de acção muito bem dirigidas num filme cujo argumento chega a ser ofensivo, mas que pronto, vá lá, tenta disfarçar as coisas com boas intenções. Ou se calhar isto ainda é mais ofensivo.

E resta o pobre do Owen Wilson e família, que com interpretações convincentes até dão uma certa pena, porque dão a sensação imediata de talento desperdiçado. Uma pena.
Recomendado para: até me custa dizer, mas sim, para os fãs do Chuck Norris.

Classificação Filmes Esquecidos: *1/2
Classificação imdb: 6.8
Comentário chunga: quem quer um Kenny Rogers asiático?

Trailer




Thursday, October 29, 2015

[Heróis Esquecidos] Ted Kotcheff (realizador)



Steven Spielberg, Christopher Nolan, Quentin Tarantino, Alejandro Gonzalez Iñarritu... podíamos estar aqui o dia todo a enumerar realizadores cujas obras são antecipadas ansiosamente, não apenas por cinéfilos como pela própria comunicação social. Falamos de gente que fez por merecer o estatuto de que hoje desfruta, cuja obra fala por si e é reconhecida nos quatro cantos do planeta.

Há, no entanto, uma quantidade de nomes que, não se reconhecendo à primeira vista, deixam ou deixaram obra que todos conhecem. Quem sabe o nome dos realizadores de filmes como Rocky, Rambo, Dirty Dancing ou mesmo Crepúsculo? 

Ted Kotcheff inclui-se nesse grupo. Talvez não reconheçamos o seu nome, mas muitos dos seus filmes foram, não apenas grandes sucessos de bilheteira, como deixaram uma marca indelével na história do cinema norte-americano, principalmente durante as décadas de 80 e 90. O realizador canadiano esteve por detrás de filmes como A Fúria do Herói (o primeiro volume da saga Rambo), Fim-de-semana Com o Morto ou Os Comandos da Noite e continua no ativo, aos 84 anos e ainda que quase exclusivamente em tarefas de produção, mas deixou obra que fala por si.

Caracterizando-se pela versatilidade, quase nunca deixou de ser competente e é por isso que o Filmes Esquecidos recupera, a partir de hoje, alguns dos seus filmes mais emblemáticos.

Senhoras e senhores, Ted Kotcheff.





Sunday, January 26, 2014

Os Encantos do 6º Andar (Les Femmes du 6éme Étage), de Philippe Le Guay (2010)


São muitos os filmes que saem todos os anos, dos mais variados géneros e feitios e para os mais variados públicos. Mas quantos haverá que abordam, com graça e sensibilidade, realidades presentes no nosso quotidiano? O recente sucesso de A Gaiola Dourada (La Cage Dorée, 2013), do qual falarei em breve, mostrou que não é preciso ter muita ação, efeitos especiais e super-heróis para se conseguir cativar o grande público. Sim, é um cliché repetido até à exaustão. Mas quantos cineastas saberão contar uma história de forma sensível e ao mesmo tempo cativante?

Os Encantos do 6º Andar passou-me completamente ao lado quando da sua estreia. Sim, é um filme francês e o mercado português não costuma prestar-lhes atenção a não ser que o título seja antecedido por "Luc Besson presente", mas eu costumo estar atento. Sim, é um filme francês sobre mulheres espanholas emigradas na França dos anos 60 do século passado, mas, se por outro motivo não fosse, o esmagador sucesso da obra de Philippe Le Guay nas bilheteiras gaulesas devia ter-me alertado para este filme, nem que fosse só um bocadinho. Assim um bocadinho só.

Maria (Natalia Verbeke) é uma jovem espanhola em busca de trabalho na capital francesa. Como todas as espanholas da altura, acaba como empregada de limpeza na casa de um casal de posses. Só que a sua chegada, aliada à energia das suas compinchas dos outros apartamentos, altera a realidade do aborrecido Jean-Louis (Fabrice Luchini), um bom homem cuja vida está estagnada entre a previsível e um tanto arrogante esposa e a o emprego de sempre. O cruzamento da sua vida com a das senhora do 6º andar vai alterar completamente o seu rumo, de forma inesperada, mas invariavelmente tocante e divertida.

Convém aqui salientar que estamos perante uma realidade muito específica, mas de fácil compreensão pelos portugueses que têm ou tiveram familiares emigrados na segunda metade do século XX. Fala-se, inclusive, deles, a determinada altura do filme. O que torna ainda mais relevante este Os Encantos do 6º Andar, um pedacinho de cinema que revela uma universalidade e uma sinceridade desarmantes. E que, acima de tudo, merece ser descoberto.

Recomendado para: quem não tem medo de sorrir com a dura realidade. 

Classificação Filmes Esquecidos: ****
Classificação imdb: 7,1
Comentário chunga: se não fosse por causa das coisas, até pensava que as donas do prédia eram as espanholas. mas isso sou eu...

Trailer






Monday, January 06, 2014

Taking Woodstock, de Ang Lee (2009)


Hoje apetece-me ser polémico e dizer que não acho Ang Lee um grande realizador. Sou fã dos seus filmes, as temáticas e desenvolvimentos interessam-me, mas noto sempre uma certa falta de "olho clínico" ora para colocar a câmara no sítio certo, ora para cortar o que está a mais.

Claro que quem escreve estas linhas viu apenas quatro filmes do senhor e está ciente de que ele já ganhou dois Oscars precisamente na categoria de realização, mas também acredita que o de Brokeback Mountain foi exagerado. Ah, e por aqui ainda não se viu O Tigre e o Dragão nem A Vida de Pi, portanto acredita-se piamente que a opinião possa vir a mudar. Mas viu-se Taking Woodstock e é desse que vos venho deixar umas palavrinhas hoje.

Elliot (Demetri Martin) está numa encruzilhada. Perante o aparente fracasso precoce da sua carreira como pintor e a crise financeira que os pais atravessam, decide voltar à terrinha, apostando tudo na organização de um festival que a cidade vizinha deixou fugir e que acaba por se transformar num símbolo de liberdade e paz para um país em guerra com o Vietname.

Lee acerta com o tom de comédia do filme, que usa para dissecar uma realidade sem para isso parecer que está a dar sermões, e a escolha não apenas de Martin, mas também de Imelda Staunton e Henry Goodman (assombrosos como os pais de Elliott), e do televisivo Jonathan Groff revela acertos de casting como poucas vezes se tem visto. O problema maior do filme prende-se com o facto de, por vezes, não conseguir encontrar um equilíbrio na história que quer contar. Começa como uma comédia leve sobre uma família e uma comunidade disfuncionais e termina quase como um Almost Famous wannabe, numa jornada de descoberta pessoal.

Felizmente, há muitos bons momentos para se saborear em Taking Woodstock, que acaba por deixar um sorriso muito aberto nos lábios de quem lhe puser a vista em cima.

Recomendado para: as mães e todos os espíritos livres.

Classificação Filmes Esquecidos:****
Classificação imdb: 6,7
Comentário chunga: Liev Schreiber é uma mulher.

TRAILER


De Martin Scorsese... para a filha [ou o futuro do cinema]

Dearest Francesca,

I’m writing this letter to you about the future. I’m looking at it through the lens of my world. Through the lens of cinema, which has been at the center of that world.

For the last few years, I’ve realized that the idea of cinema that I grew up with, that’s there in the movies I’ve been showing you since you were a child, and that was thriving when I started making pictures, is coming to a close. I’m not referring to the films that have already been made. I’m referring to the ones that are to come.

I don’t mean to be despairing. I’m not writing these words in a spirit of defeat. On the contrary, I think the future is bright.

We always knew that the movies were a business, and that the art of cinema was made possible because it aligned with business conditions. None of us who started in the 60s and 70s had any illusions on that front. We knew that we would have to work hard to protect what we loved. We also knew that we might have to go through some rough periods. And I suppose we realized, on some level, that we might face a time when every inconvenient or unpredictable element in the moviemaking process would be minimized, maybe even eliminated. The most unpredictable element of all? Cinema. And the people who make it.

I don’t want to repeat what has been said and written by so many others before me, about all the changes in the business, and I’m heartened by the exceptions to the overall trend in moviemaking – Wes Anderson, Richard Linklater, David Fincher, Alexander Payne, the Coen Brothers, James Gray and Paul Thomas Anderson are all managing to get pictures made, and Paul not only got The Master made in 70mm, he even got it shown that way in a few cities. Anyone who cares about cinema should be thankful.

And I’m also moved by the artists who are continuing to get their pictures made all over the world, in France, in South Korea, in England, in Japan, in Africa. It’s getting harder all the time, but they’re getting the films done.

But I don’t think I’m being pessimistic when I say that the art of cinema and the movie business are now at a crossroads. Audio-visual entertainment and what we know as cinema – moving pictures conceived by individuals – appear to be headed in different directions. In the future, you’ll probably see less and less of what we recognize as cinema on multiplex screens and more and more of it in smaller theaters, online, and, I suppose, in spaces and circumstances that I can’t predict.

So why is the future so bright? Because for the very first time in the history of the art form, movies really can be made for very little money. This was unheard of when I was growing up, and extremely low budget movies have always been the exception rather than the rule. Now, it’s the reverse. You can get beautiful images with affordable cameras. You can record sound. You can edit and mix and color-correct at home. This has all come to pass.

But with all the attention paid to the machinery of making movies and to the advances in technology that have led to this revolution in moviemaking, there is one important thing to remember: the tools don’t make the movie, you make the movie. It’s freeing to pick up a camera and start shooting and then put it together with Final Cut Pro. Making a movie – the one you need to make - is something else. There are no shortcuts.

If John Cassavetes, my friend and mentor, were alive today, he would certainly be using all the equipment that’s available. But he would be saying the same things he always said – you have to be absolutely dedicated to the work, you have to give everything of yourself, and you have to protect the spark of connection that drove you to make the picture in the first place. You have to protect it with your life. In the past, because making movies was so expensive, we had to protect against exhaustion and compromise. In the future, you’ll have to steel yourself against something else: the temptation to go with the flow, and allow the movie to drift and float away.

This isn’t just a matter of cinema. There are no shortcuts to anything. I’m not saying that everything has to be difficult. I’m saying that the voice that sparks you is your voice – that’s the inner light, as the Quakers put it.

That’s you. That’s the truth.


All my love,

Dad

Tuesday, December 17, 2013

MARATONA DE NATAL (Parte VII) - Fred Claus, de David Dobkin (2007)



Não há muitos filmes de Natal que fujam à lógica da mensagem familiar final, através da qual é ensinada uma lição de vida e se proporciona uma sensação de bem-estar imediata, enfim, algo próprio para aquecer corações por alturas da consoada. Não arriscaria dizer que Fred Claus é o filme que rompe com a fórmula, mas é, sem dúvida, uma lufada de ar fresco no por vezes sem saborão panorama de filmes natalícios.

Vince Vaughn faz de Fred, o sempre menosprezado irmão mais velho do Pai Natal (Paul Giamatti) que optou por uma vida errante, apesar do bom coração. Quando pede ajuda ao irmão para um negócio pendente, Nicolau exige-lhe, em troca, que ele passe alguns dias no Pólo Norte, ajudando no processo de distribuição das prendas de Natal. 

No início, Fred Claus parece "apenas" uma sucessão de gags feitos à medida para permitir a Vaughn brilhar eclipsando, inclusive e surpreendentemente Rachel Weisz, apagada no papel da namorada do protagonista. Quando chega ao Pólo Norte, porém, o filme ganha uma nova vida. Todo o ambiente na fábrica dos presentes é cheio de detalhes e personagens divertidos ainda que nem sempre bem desenvolvidos. John Michael Higgins e o seu Willie mereciam um filme só dele. Kevin Spacey faz um vilão muito competentemente. Mas é o golpe de teatro da resolução da trama que eleva verdadeiramente o filme a um patamar superior. Sente-se que o argumento de Dan Fogelman (baseado numa história sua e de Jessie Nelson) precisava de ser um pouco mais polido para resultar em pleno, mas a sensação final é de que, apesar de um pouco desequilibrado, Fred Claus é um triunfo e um dos melhores filmes de Natal dos últimos anos.

Curiosidade: Frank Stallone, Roger Clinton e Stephen Baldwin fazer uma perninha num dos momentos mais deliciosos do filme. 

Recomendado para: todos aqueles que tenham estômago para o estilo de Vaughn.

Classificação Filmes Esquecidos: ****
Classificação imdb: 5,5
Comentário chunga: Lex Luthor a vestir a capa do Homem de Aço? God save us!

TRAILER


Sunday, December 15, 2013

MARATONA DE NATAL (Parte V) - Frosty Returns, de Evert Brown & Bill Melendez (1992)



Dois dos rostos da casa Charlie Brown realizaram esta curta animação literalmente concebida para crianças, baseada no celebro conto de Jim Lewis. Frosty Returns traz-nos uma menina que, depois de ajudar o Boneco de Neve (voz de John Goodman) a combater uma ameaça de extinção da neve, encontra nele o amigo que lhe faltava.

A história é simples e é contada sem grandes rodeios, de forma a que as crianças a absorvam facilmente. No entanto, e apesar da energia dos personagens principais, não há um elemento surpresa que traga o fascínio esperado, mesmo tendo em conta que os números musicais são bons e não demasiado longos.

No final, fica a sensação de que Frostry Returns é a animação ideal para ver na cama, na manhã do dia 25, acompanhado de uma chávena de leite e antes de uma qualquer boa versão do imortal conto de Dickens.

Recomendado para: crianças, e apenas elas.

Classificação Filmes Esquecidos: **1/2
Classificação imdb: 4,9
Comentário chunga: um spray para remover a neve?

AVAILABLE ON YOUTUBE


Wednesday, December 11, 2013

MARATONA DE NATAL (Parte IV) - Blizzard (Uma Noite Mágica), LeVar Burton (2003)



Eu queria dizer coisas muitas giras deste Blizzard, mas acho que o que de melhor me sai neste momento é que não é ofensivo para as crianças nem as trata como imbecis. E é tudo, parece-me assim à primeira vista.

A primeira fraqueza do filme revela-se logo nos primeiros dez minutos. A mistura de histórias constantes tira-lhe o foco e não ajuda a que empatizemos com personagens e situações. Depois vem uma rena falante e pensante e começamos a pensar se estava toda a gente sóbria quando resolveu levar esta história ao cinema. Como se isso não bastasse, os efeitos especiais pré-Movie Maker são involuntariamente cómicos e tentamos esquecer tudo isso escondendo-nos nas interpretações convincentes Jan Tríska, Christopher Plummer, Kevin Pollak e, principalmente Brenda Blethyn, ou no tom declaradamente ingénuo de um filme feito especialmente para crianças mesmo muito crianças. 


Essencialmente, Blizzard ganha por não se levar muito a série e por exibir uma certa candura e inocência não muito comuns nos ultra-sofisticados filmes de hoje. Mas é tão ingénuo que por vezes dá pena. 


Recomendado para: crianças dos anos 80 e inícios de 90. E só para elas.


Curiosidade: o elfo vigilante que Blizzard ilude para levar os skates para Katie é o realizador do filme, LeVar Burton.

Classificação Filmes Esquecidos: **1/2
Classificação imdb: 5,3
Comentário chunga: o que dizer de um filme cujo trailer nem consigo encontrar?


Thursday, December 05, 2013

MARATONA DE NATAL (Parte III) - Noel (Um Milagre de Natal), Chazz Palminteri (2004)



Há filmes que, por muitas estrelas que tenham no elenco, dificilmente atingem um grande público.As razões para isso podem ser da mais variada índole e não importa, neste espaço, meditar profundamente obre isso. Um Milagre de Natal tem Susan Sarandon, Penelope Cruz, Paul Walker, Robin Williams e Alan Arkin, todos em grande forma, mas nem assim se livrou de uma carreira praticamente inexistente nas salas de cinema. O que leva a algumas questões: valerá a pena o visionamento? Será assim tão mau um filme que nem o elenco estrelar conseguiu fazer sobressair?

A resposta mais imediata é sim, Um Milagre de Natal vale a pena. Essencialmente é um filme honesto, que tenta cruzar histórias tendo a noite de Natal como pano de fundo. A realização do também ator Chazz Palminteri é sóbria, mas deixa sobre os ombros dos atores toda a responsabilidade pelo sucesso da empreitada. No entanto, isso sente-se e, se as histórias em si são bem concebidas e escritas e os atores se mostram comprometidos com o projeto, fica a sensação clara de que poder-se-ia ter ido muito mais longe. O exemplo mais cabal é o do personagem de Robin Williams que fica muito aquém do evidente potencial.

Um Milagre de Natal não é um filme essencial, nem sequer para a época festiva. É uma obra correta e escorreita que peca por não ser mais ambiciosa, mas que, por outro lado, é capaz de, aqui e ali, tocar os mais desprevenidos.

Recomendado para: ver na noite de Natal, antes do jantar, para aquecer o povo em lume brando.

Curiosidade: o DVD do filme foi lançado apenas 48 horas depois da estreia do filme!

Classificação Filmes Esquecidos: ***
Classificação imdb: 6,2
Comentário chunga: mas por que é que a Susan Sarandon não se atirou à água e abanou o filme de vez?

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Wednesday, December 04, 2013

MARATONA DE NATAL (Parte II) - Polar Express (O Expresso Polar), Robert Zemeckis (2004)



Muitos realizadores há cuja obra me apaixona, por um ou vários motivos. Gente que vai desde o mais óbvio - Steven Spielberg, Francis Ford Coppola, Christopher Nolan - ao para muitos inimaginável - Richard Linklater, Luc Besson, Gore Verbinsky. No entanto, se tivesse de escolher um de entre todos como o MEU PREFERIDO de sempre, esse alguém teria de ser Robert Zemeckis. O motivo é simples: há tanta variedade e qualidade na sua filmografia que poderia facilmente gastar uma semana só a ver filmes seus que sei que nunca me desiludiria. Além disso, é dos poucos realizadores capazes de passar do entretenimento mais escapista ao filme com mensagem sem vacilar sequer por um momento. Poderia até referir a magia e criatividade da saga Regresso ao Futuro (Back to the Future I, II e III, 1985, 1989 e 1990), mas seria injusto esquecer tantas e tão boas obras, algumas das quais já falei aqui ao longo dos anos.

Quando o homem se decidiu enveredar pelo cinema de animação não me opus, considerando que a experiência Quem Tramou Roger Rabbit? (Who Framed Roger Rabbit?, 1988) tinha corrido excepcionalmente bem. Não esperava eu é que Zemeckis começasse por um conto de Natal de raiz clássica. Polar Express conta a história de um menino que está a passar pelo sempre traumático momento da constatação de que o Pai Natal não existe. Uma noite, um misterioso comboio pára junto à sua casa e anuncia o Polo Norte como destino final. A viagem que se segue é puro deleite visual, uma daquelas experiências plenas de ilusão que fazem automaticamente valer o bilhete de cinema. A narrativa em si é simples e dirigida essencialmente a um público mais infantil. Para esses, este poderá ser o filme que marca uma infância. Para os outros, será o recordar nostálgico de um tempo que foi e não volta.

E Zemeckis acertou outra vez. E eu continuo a gostar muito dele.

Recomendado para: Crianças em dúvida e adultos com a criança bem viva dentro de si.

Curiosidade: O nome do menino que é personagem principal do filme nunca é mencionado.

Classificação Filmes Esquecidos: ****
Classificação imdb: 6,5
Comentário chunga: Caminhar em cima de um comboio cheio de neve e à noite. Pois sim...

TRAILER


Saturday, November 30, 2013

Clássicos Quase Esquecidos (parte I): The Shawshank Redemption (Os Condenados de Shawshank), de Frank Darabont (1994)



É bom perceber que em Hollywood há excepções à regra. É bom perceber que se fazem filmes que, por um motivo ou por outro, apesar de esquecidos num primeiro momento, ganham nova vida posteriormente. Em adolescente descobri Os Condenados de Shawshank por sugestão de uma amiga da minha irmã e soou-me logo a filme de artes marciais de terceira linha. Só após muita insistência decidi pegar naquele filme que, vim a saber depois, tinha ficado na sombra de Forrest Gump na corrida pela estatueta dourada. Tinha sido nomeado para sete. Não ganhou nenhum.

O filme conquistou-me logo à primeira. A serena história de um banqueiro condenado injustamente pelo homicídio da esposa e do seu amante prende pela simplicidade e profundidade como trata temas como a amizade, a compaixão e o companheirismo. Os seus personagens, mesmo os mais secundários, acresentam sempre alguma coisa à narrativa e são frequentes as vezes em que se destacam dos outros por mérito próprio.

É difícil vermos Os Condenados de Shawshank e imaginarmos que é proveniente de uma obra do Stephen King, esse mesmo, o mestre do terror. A sensibilidade que transpira da história e do argumento de Frank Darabont - curiosamente não nomeado pela Academia - é tal que por vezes causa arrepios na espinha. Tudo o que lá está é visceral e incomoda e emociona pelo realismo.

A empreitada, sem nomes sonantes no cartaz, resultou num rotundo fiasco de bilheteira. No entanto, o evento do VHS permitiu a redescoberta de uma obra que hoje se considera essencial e que dificilmente não aparece em qualquer lista dos melhores filmes de cinema da História.

Revi-o ontem, pela 22ª vez, se não me falham os cálculos, e é preciso dizer que não perdeu nem um pingo da frescura que ostentou no seu ano de estreia. Tornou-se obrigatório para qualquer amante da 7ª arte.

Classificação Filmes Esquecidos: *****
Classificação imdb: 9,3
Comentário chunga: é o filme com maior cotação de sempre no imdb. Em alguma coisa haveriam de acertar por aquelas bandas...

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Thursday, November 28, 2013

Sliding Doors (Instantes Decisivos), de Peter Howitt (1998)



Há filmes cujo visionamento adiamos vezes sem conta. Umas vezes por umas razões, outras vezes por outras lá vão sendo adiados uma e outra vez, muitas vezes apesar de até nos chamarem a atenção. Sliding Doors é, que me recorde, o filme que sempre fui colocando na lista dos seguintes. Quando estreou no cinema, nos idos de 1998, quase o fui ver por duas vezes. Depois fui adiando a compra do DVD apesar de até ter aparecido como oferta em jornais. Passou na televisão, mas nunca estava em casa para vê-lo, apesar de o ter gravado em VHS. Até que há três dias, sem que nada o fizesse prever, passei por ele numa loja de artigos em segunda mão e disse a mim mesmo: "Desta não passa!". E assim foi. Veio comigo.

Gwyneth Paltrow é Helen, uma jovem que, de um momento para o outro se vê sem o bom emprego que lhe permitia o seus sustento e o do namorado escritor. Em seguida, encontra o namorado com outra na cama. Ou será que afinal perdeu o metro e não viu nada? O filme navega entre os "what ifs" da vida, mostrando-nos os diferentes efeitos que um momento, uma opção diferente, podem ter no desenrolar da nossa vida. Uma espécie de Regresso ao Futuro (Back to the Future, Robert Zemeckis, 1985) em versão comédia romântica "sim ou sopas", conduzida com leveza e charme por Peter Howitt. O grande trunfo de Sliding Doors provém do seu equilíbrio que parece natural, mas que tão difícil é de conseguir e tão facilmente poderia resvalar para o lugar-comum. As situações são apresentadas com credibilidade, e temperadas com o génio cómico de John Hannah, um muito improvável par romântico que espalha energia e vitalidade num filme que facilmente se poderia levar demasiado a sério.

Sliding Doors é um filme que se vê com agrado porque aquece a alma sem precisar de ser parvo. Não há assim tantos como este.

Recomendado para: Uma noite a dois, acompanhada por um bom vinho (apesar de eu o ter visto sozinho, com um copo de água ao lado).

Curiosidade: Quando Sidney Pollack telefonou a oferecer financiamento para o filme, o realizador Peter Howitt estava numa espiral de alcoól num pub de Londres e teve de esperar pelo dia seguinte, até ficar sóbrio, para poder falar com Pollack.

Classificação Filmes Esquecidos: ****
Classificação imdb: 6,7
Comentário chunga: quem acha que o John Hannah é feio é porque nunca viu o gajo que faz de namorado da Gwyneth Paltrow no filme. Lá se foram os leading men classicos. Boa!

TRAILER




Thursday, November 08, 2007

Casa de Areia - Andrucha Waddington (2006)

O Brasil tem vindo de alguns anos para cá a surpreender-me no que toca a produção cinematográfica de qualidade.
Para quem estava habituado aquele imaginário televisivo típico das telenovelas Brasileiras encontrar filmes como "Cidade de Deus", "Carandirú" e "O Homem que Copiava" tem sido uma verdadeira surpresa que supera todas as expectativas ou ideias pré-concebidas.
Acredito que muita gente ainda nem tenha notado, mas do Brasil estão a vir a conta-gotas alguns dos melhores filmes que podemos encontrar actualmente editados em DVD no nosso país.

O último que encontrei e que recomendo vivamente chama-se " Casa de Areia " e anda actualmente perdido numa excelente colecção chamada "Cinema do Mundo" (Lusomundo) que reune filmes de várias partes do globo.
É um bocado complicado contar algo sobre este filme de modo a despertar o vosso interesse, porque na realidade á partida este é um daqueles filmes em "que não se passa nada". Isto na ideia de muita gente que espera sempre uma daquelas histórias lineares de A-a-B com maus e bons e um final feliz.
Este é um filme de emoções em que metade da sua história é mais contada pelos silêncios e pelas mágnificas paisagens do que propriamente por um argumento em que se explica por palavras tudo o que está a acontecer.

Apesar disto, não esperem no entanto um filme pretencioso a puxar para o intelectual de pacotilha. A Casa de Areia não deixa de ser cinema comercial no sentido em que é tudo menos um filme chato, pois a partir do momento em que se conhecem os personagens temos mesmo de saber onde a história nos irá levar. Nesse aspecto o argumento não desilude e é bem criativo na forma como nos conta a história que tem para contar e que basicamente é sobre duas mulheres que vivem perdidas num deserto do Brasil durante mais de 50 anos sem nunca o conseguirem abandonar. Por muito que tentem encontrar o caminho da saída há sempre algo que as impede de deixar o local e os motivos variam do trágico ao poético e quase mágico criando uma atmosfera única para um filme que merece ser descoberto por quem já está farto de enlatados de Hollywood, não tem medo de ver filmes Brasileiros e quer algo mais do que tiros e efeitos especiais.

Em 1910, Vasco um português, leva sua esposa grávida Áurea (Fernanda Torres) e a mãe dela, Dona Maria (Fernanda Montenegro), em busca de um sonho: viver em terras prósperas, recentemente compradas por ele. No entanto o sonho transforma-se em pesadelo quando, após uma longa e cansativa viagem numa caravana, o trio descobre que as terras ficam num lugar totalmente inóspito, rodeado de areia por todos os lados e sem nenhum sinal de civilização por perto.
Após algumas peripécias iniciais as duas mulheres vêem-se sózinhas habitando uma velha casa no meio do deserto na esperança de que um dia alguém por lá passe e lhes indique o caminho para voltarem á civilização.
Por vizinhos apenas têm os habitantes de uma aldeia de pescadores, originada por ex-escravos fugidos que já nem se recordam do caminho por onde chegaram e por isso as duas mulheres vêem-se obrigadas a resignar-se ao seu destino limitando-se a esperar.

O filme acompanha esses largos anos de espera. Viajantes cruzam-se com o destino das mulheres, mas há sempre algo que as impede de partir na companhia dessas pessoas que passam pelas suas vidas. Tudo isto pode parecer um bocado vazio para uma história que é tudo menos chata, mas ao longo do filme sucedem-se os momentos interessantes, alguns de suspanse e muitos momentos poéticos como a cena em que os astrónomos visitam o deserto.
Como disse não posso contar demais porque a beleza deste filme está em descobrirmos por nós próprios o percurso da vida dos personagens principais ao longo de mais de 50 anos.

Esta deslocação temporal permite um trabalho fabuloso das actrizes que se desdobram em vários papeis consoante a época e a geração que o filme pretende retratar. Como tal, por exemplo a Fernanda Montenegro começa o filme a fazer o papel de avó e termina-o como neta 50 anos mais tarde numa composição absolutamente fabulosa. O mesmo vale para a Fernanda Torres.
Em termos de interpretações femininas este filme é absolutamente fantástico. Ao ponto até dos poucos personagens masculinos parecerem quase inexistentes quando comparados com a força dos personagens principais.

Além da história absolutamente hipnótica cheia de momentos poéticos, das interpretações fantásticas o filme conta com imagens mágnificas que retratam o deserto de uma forma quase irreal. Isto aliado a uma fotografia que quase roça o preto e branco em algumas alturas cria um ambiente absolutamente mágico e ao mesmo tempo claustrofóbico apesar do filme estar cheio de imensos espaços abertos.

Curiosamente em alguns momentos iniciais Casa de Areia quase nos parece um filme de Ficção-Cientifica precisamente pelo ambiente totalmente alienigena onde a história se passa. Aquele deserto Brasileiro é verdadeiramente um mundo á parte longe de tudo e de todos.
Em termos de atmosfera o filme faz lembrar em alturas, outras obras como - "O Piano" de Jane Campion, embora eu tenha gostado mesmo muito mais deste " Casa de Areia ". Shoot me.
Como tal recomendo totalmente a compra deste dvd. Ainda por cima a edição Portuguesa custa apenas 15€ e a qualidade técnica da mesma é muito boa, tanto a nivel de imagem como de som, contando ainda com bons extras entre eles um making of muito interessante e algumas entrevistas.

Recomendo vivamente pois este é mais um daqueles filmes que de certeza irá andar muito esquecido, especialmente num país como o nosso onde parece que o que não é blockbuster da moda não existe.

9 estrelas em 10 - Não leva nota máxima porque apesar de tudo gostaria de ter visto um final mais emotivo, menos contido e simbólico do que o apresentado. Mas isto se calhar tem a ver comigo , por isso não se desencorajem, comprem ou aluguem " Casa de Areia " mas acima de tudo vejam este filme.